terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Passo a passo, a inclusão acontece


A ideia andou a marinar na cabeça de Eric Kim Yoon Ju desde os tempos de faculdade. Na Universidade de Washington, o sul-coreano percebeu através da experiência de um colega cego como os livros traduzidos para braille podem ser extremamente volumosos — e, por isso, pouco práticos. O jovem começou na altura a imaginar um dispositivo que pudesse facilitar a vida a estas pessoas e a ideia está prestes a ser concluída. Chama-se Dot e é o primeiro "smartwatch" a transformar mensagens, e-mails e até e-books em braille.

Até agora, a solução passava por ouvir mensagens escritas com auxílio da "assistente pessoal" do iPhone, Siri, — algo que não só reduz a privacidade do receptor como, dependendo do contexto (com barulho ou em transportes públicos, por exemplo), pode ser tarefa complicada.

Dot tem um mostrador com buracos perfurados e ímans no interior, que se tornam visíveis conforme o conteúdo das mensagens. Quando o utilizador é contactado, os ímans sobem e ao passar o dedo o utilizador lê a mensagem em braille.

"Esforçamo-nos por reduzir a discriminação sofrida por pessoas cegas", lê-se na página da start-up Dot. Os sul-coreanos estimam que apenas 1 por cento dos livros são traduzidos para braille e que o preço de um dispositivo digital de leitura é, em média, superior aos dois mil dólares (1800 euros). É por estas razões, apontam, que 95 por cento das pessoas cegas desistem de estudar braille.

Este "smartwatch" está em fase final de desenvolvimento e terá um preço de 300 dólares (cerca de 274 euros). Os produtos tecnológicos para pessoas cegas têm geralmente preços muito elevados — um computador portátil capaz de transmitir mensagens em braille pode custar mais de 2700 euros.


Fonte: P3 do Público

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