segunda-feira, 4 de março de 2019

Os carpinteiros e pedreiros romanos cunharam a palavra norma designadora de um esquadro*

NORMA 01/JNE/2019


NORMA 01/JNE/2019- Instruções para a inscrição de Provas e Exames do Ensino Básico e do Ensino Secundário.”



Inclusão eleitoral

Matriz do voto em Braille

Todas as mesas de voto passam a ter uma matriz em Braille, que é colocada por cima do boletim, de maneira a permitir que os cidadãos com deficiência visual consigam votar de foram autónoma. Ainda assim, …continua a ser possível os cidadãos irem acompanhados, se o desejarem.
Expresso de 2 de fevereiro de 2019

Quem lê muito e anda muito, vai longe e sabe muito.(Miguel Cervantes)*


Numa das minhas contínuas pesquisas para refletir e escrever neste Blog, encontrei estes dez ‘Direitos essenciais do Leitor’, apresentados na Obra de Daniel Pennac: Como um romance.
1.    Direito de não ler
2.    Direito de saltar páginas
3.    Direito de reler
4.    Direito a não acabar um livro
5.    Direito de ler seja o que for
6.    Direito à emoção (doença textualmente transmissível)
7.    Direito a ler onde quer que seja
8.    Direito a ler apenas algumas passagens dos livros
9.    Direito a ler em voz alta
10. Direito a ficar em silêncio após a leitura

Estes ‘Direitos’ devem ser apresentados e refletidos com os jovens leitores, de forma a motivá-los para uma leitura recreativa, de prazer e gosto. Só assim se estimulam novos leitores assíduos!


sábado, 2 de fevereiro de 2019

A informação consome a atenção dos destinatários. A riqueza da informação cria uma pobreza de atenção.


Francisco Mora: “É preciso acabar com o formato das aulas de 50 minutos”

Especialista em Neuroeducação aposta na mudança de metodologias, mas pede cautela na aplicação da neurociência na educação
(…)
Mora argumenta que a educação pode ser transformada para tornar a aprendizagem mais eficaz, por exemplo, reduzindo o tempo das aulas para menos de 50 minutos para que os alunos sejam capazes de manter a atenção. O professor de Fisiologia Humana da Universidade Complutense alerta que na educação ainda são consideradas válidas concepções equivocadas sobre o cérebro, o que ele chama de neuromitos. Além disso, Mora está ligado ao Departamento de Fisiologia Molecular e Biofísica da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos.

Pergunta. Por que é importante levar em conta as descobertas da neuroeducação para transformar a forma de aprender?
Resposta. No contexto internacional há muita fome para ancorar em algo sólido o que até agora são apenas opiniões, e esse interesse se dá especialmente entre os professores. O que a neuroeducação faz é transferir a informação de como o cérebro funciona com a melhoria dos processos de aprendizagem. Por exemplo, saber quais estímulos despertam a atenção, que em seguida dá lugar à emoção, pois sem esses dois fatores nenhuma aprendizagem ocorre. O cérebro humano não mudou nos últimos 15.000 anos; poderíamos ter uma criança do paleolítico inferior numa escola e o professor não perceber. A educação tampouco mudou nos últimos 200 anos e já temos algumas evidências de que é urgente fazer essa transformação. Devemos redesenhar a forma de ensinar.
(…)
Estamos percebendo, por exemplo, que a atenção não pode ser mantida durante 50 minutos, por isso é preciso romper o formato atual das aulas. Mais vale assistir 50 aulas de 10 minutos do que 10 aulas de 50 minutos. Na prática, uma vez que esses formatos não serão alterados em breve, os professores devem quebrar a cada 15 minutos com um elemento disruptor: uma anedota sobre um pesquisador, uma pergunta, um vídeo que levante um assunto diferente... Há algumas semanas, a Universidade de Harvard me encarregou de criar um MOOC (curso online aberto e massivo, na sigla em inglês) sobre Neurociência. Tenho de concentrar tudo em 10 minutos para que os alunos absorvam 100% do conteúdo. Nessa linha irão as coisas no futuro.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A excepção conduz à anarquia.(António de Oliveira Salazar)*


PCP e Bloco forçaram a discussão do decreto-lei do Governo que já está a ser aplicado em muitas escolas desde Setembro, mas que tem sido alvo de muitas críticas da comunidade escolar.
Turmas mais pequenas, formação gratuita para docentes e pessoal auxiliar, maior envolvimento dos pais e encarregados de educação na avaliação do sistema e uma avaliação mais rigorosa e cuidada dos instrumentos da educação inclusiva são algumas das questões que os partidos, à excepção do PS, querem consagrar no novo regime jurídico que substituiu o da educação especial. E é isso que irão fazer nos próximos meses depois de o PCP e o Bloco terem chamado ao Parlamento o decreto-lei do Governo que entrou em vigor no fim do Verão e está já a ser aplicado em muitas escolas. O diploma vai ser alvo de propostas de alteração. (…)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

A Tecnologia também pode ser inclusiva.


Descubra a magia do StorySign

O StorySign é uma aplicação gratuita que tem como objetivo ajudar as crianças surdas a ler, interpretando em língua gestual livros previamente disponibilizados na aplicação.
Funciona da seguinte forma: Em primeiro lugar, o pai, a mãe ou a criança abre a aplicação e clica num dos livros disponíveis na biblioteca do StorySign. Depois, segura o telemóvel na vertical sobre as palavras na página e a nossa simpática avatar, Star, conta a história em língua gestual, ao mesmo tempo que as palavras escritas são realçadas, para que a criança consiga de forma simples associar gestos e palavras e assim aprender a ler, ao seu próprio ritmo.
O StorySign assistido pela Inteligência Artificial da Huawei, é apoiado por instituições de caridade, incluindo a União Europeia de Surdos e a Associação Britânica de Surdos, foi desenhada pela Aardman Animations e conta com clássicos infantis da editora Penguin Random House.  

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

A pior profissão é aquela de não ter nenhuma profissão.(Cesare Cantú*)


Estudo. Só 1% dos portugueses quer ser professor

Estudo apresentado na nova edição do Global Teacher Prize mostra que 76% dos inquiridos nunca ponderou ser docente. Taxa de rejeição sobe se se juntar os que pensaram nisso, mas mudaram de opinião.
É a terceira profissão mais confiável na opinião dos portugueses, só ultrapassada por médicos e bombeiros, mas, apesar disso, quase ninguém pensa seguir a profissão de professor. Esta é uma das conclusões do estudo que será apresentado esta quinta-feira no lançamento de mais uma edição do Global Teacher Prize, feita a cidadãos com 15 ou mais anos, e que mostra que só 1% dos inquiridos tem como objetivo profissional ser professor.
(...)
*visto aqui

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Lazer: intervalos de lucidez numa vida desregrada.(Ambrose Gwinett Bierce)*

A Generalidade Valenciana aprovou uma norma, que entrou em vigor no dia de Natal, para limitar os trabalhos de casa para os estudantes entre os seis e os 16 anos.
Lei de Direitos e Garantias para Crianças e Adolescentes é assim que se chama e estipula que as crianças entre os seis e os 16 anos façam a maioria das atividades de aprendizagem dentro do horário escolar. Esta norma é a primeira em toda a Espanha que inclui limites aos trabalhos de casa e foi aprovada pelo governo autonómico Valenciano.
Esta nova lei reconhece que as crianças e jovens são “cidadãos de pleno direito” e estabelece que a brincadeira e os jogos façam parte da sua atividade quotidiana como elemento essencial para o seu desenvolvimento e processo de socialização. As crianças também têm o direito de participar em “atividades de lazer educacional” ou de tempos livres fora da educação regulamentada e do ambiente familiar.
Segundo o artigo 69.º reconhece-se a contribuição dos colégios e institutos para que se cumpra esse “direito ao ócio e ao desporto”: “Durante as etapas do ensino obrigatório procurar-se-á que a maior parte das atividades de aprendizagem programadas se possam realizar dentro da jornada letiva, de maneira a que as que se tenham que realizar fora não ponham em causa o direitos dos alunos ao ócio, ao desporto e à participação na vida social e familiar”.
A lei não obriga categoricamente os centros educativos a seguir esta norma, deixando margem para decidir aplicar o que está foi consignado. Ainda assim, é a primeira vez que uma lei autonómica aborda as tarefas escolares, depois dos parlamentos regionais de Madrid, Cantabria, Murcia e Canárias terem aprovado recomendações neste sentido.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Ai a norma culta portuguesa!


“Prefiro que o PSD tenha pior resultado nas eleições do que um rótulo de direita”
Manuela Ferreira Leite
Antiga líder do PSD, numa frase que incendiou os ânimos sociais-democratas





Em relação ao verbo preferir, talvez por influência da construção comparativa «gosto mais do que…» se verifique o uso frequente de «preferir uma coisa do que outra». Porém, segundo a norma culta portuguesa, a estrutura correcta é «preferir uma coisa a outra».

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

No imbecil, o espírito sopra em sentido contrário.(José Alberto Braga)*


Pelo menos 20 crianças ficaram esta terça-feira feridas num ataque perpetrado por um homem numa escola primária em Pequim, informaram as autoridades chinesas do distrito de Xicheng, detalhando nas redes sociais que três das crianças se encontram gravemente feridas, mas não correm risco de vida. O suspeito foi preso no local.
Expresso Diário de 08/01/2019

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

“Investigação, Práticas e Contextos em Educação




INSTITUTO POLITÉCNICO DE LEIRIA - 3 a 5 De MAIO 2019
Encontra-se a decorrer, até ao dia 11 de fevereiro, o prazo para a submissão de artigos, relatos e posters no âmbito da Conferência Internacional “Investigação, Práticas e Contextos em Educação”, que se realizará nos dias 3 e 4 de maio, na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, do Instituto Politécnico de Leiria.
O objetivo da iniciativa é proporcionar uma oportunidade para que profissionais de diversas áreas ligadas à Educação e com interesses multidisciplinares interajam e partilhem experiências e conhecimentos, contribuindo e estimulando a investigação e o desenvolvimento de boas práticas. 
A conferência envolve diversas temáticas, designadamente, experiências de ensino e aprendizagem em contextos formais e não formais e desenvolvimento comunitário

ARTIGOS, RELATOS E POSTERS


quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Habemus Normam 2019

GUIA PARA APLICAÇÃO de ADAPTAÇÕES NA REALIZAÇÃO de PROVAS E EXAMES 

Ver as coisas mais além do que alcança a nossa vista! (A. Aleixo)


Um estudo recente, conduzido por investigadores ingleses, encontrou evidências de relação entre fatores ambientais e o aumento do número de casos de miopia, que tem sido cada vez maior a nível mundial.
As crianças têm de ir para a rua brincar para diminuírem o risco de terem miopia. Este é o alerta dado por uma equipa de investigadores da universidade King’s College London, em Londres, que confirmou que, além da predisposição genética para ter este erro na visão, os fatores ambientais também influenciam o seu desenvolvimento.
A miopia faz com que haja uma redução da qualidade da visão ao longe. Já a visão ao perto não é afetada, a não ser nos casos de miopia muito elevada. Nas crianças, o problema pode facilmente passar despercebido, principalmente se a miopia afetar apenas um olho.
Esta nova investigação pretendia escrutinar conclusões de estudos anteriores que referiram vários motivos para justificar a diminuição do número de casos de miopia em crianças que passam mais tempo ao ar livre, assim como outros fatores que podem fazer com que este problema aumente.
Nos resultados, publicados na revista British Journal of Ophthalmology, a equipa confirmou que longos períodos a fazer atividades dentro de casa aumentam, realmente, o risco de miopia e que é importante haver um maior equilíbrio entre o tempo passado na rua e em casa.
Ao observar resultados de estudos anteriores, a equipa percebeu que, por cada hora extra semanal que a criança passava a jogar videojogos, a probabilidade de ter miopia aumentava 3% devido, principalmente, à proximidade com os ecrãs ou ao maior tempo passado dentro de casa.
Além disso, os pesquisadores fizeram outro tipo de descobertas surpreendentes: através da análise de dados de mais de mil pessoas, a equipa descobriu que as crianças nascidas a partir de tratamentos de fertilidade tiveram uma redução de 37% de miopia no momento do teste da visão na adolescência. Katie Williams, autora do estudo, diz que este resultado pode estar ligado ao baixo peso das crianças no momento do nascimento, o que pode significar um ligeiro atraso no desenvolvimento neurológico.
Pelo contrário, as que nasceram no verão tiveram quase o dobro de chances de serem míopes, o que, segundo os pesquisadores, pode ter a ver com o facto de estas crianças começarem a escola mais cedo.
Também repararam que, por cada nível mais alto de educação da mãe, a possibilidade de o adolescente ter esse problema aumentava 33%. Os investigadores dizem que este resultado pode estar relacionado com uma ligação genética entre inteligência e miopia.
“Nós sabemos de estudos genéticos anteriores em que a genética desempenha um papel importante na variação da doença”, refere Katie Williams. Contudo, diz a autora, a genética não consegue explicar a razão de a miopia estar a tornar-se cada vez mais comum a nível mundial, “já que os genes não podem mudar tão rapidamente ao longo de poucas gerações”. Devem ser, segundo Katie Williams, os hábitos das crianças modernas que têm feito com que o número de casos deste problema aumente.
Como descobrir se o seu filho tem miopia
As crianças com miopia podem queixar-se de dores de cabeça e de cansaço e o seu rendimento escolar pode ser prejudicado. Além disso, têm a tendência de se aproximarem muito da televisão ou dos objetos.
Estes sintomas podem não ser facilmente percetíveis e, por isso, os médicos aconselham a realização de uma consulta de oftalmologia por volta dos três anos que permite detetar a presença de miopia e corrigi-la precocemente.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Hoje é dia de ser bom.

Dia de Natal

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

E as crianças com a tinta invisível / do medo de serem futuro

Em Cruz não Era Acabado

As crianças viravam as folhas 
dos dias enevoados 
e da página do Natal 
nasciam os montes prateados 

da infância. Intérmina, a mãe 
fazia o bolo unido e quente 
da noite na boca das crianças 
acordadas de repente. 

Torres e ovelhas de barro 
que do armário saíam 
para formar a cidade 
onde o menino nascia. 

Menino pronunciado 
como uma palavra vagarosa 
que terminava numa cruz 
e começava numa rosa. 

Natal bordado por tias 
que teciam com seus dedos 
estradas que então havia 
para a capital dos brinquedos. 

E as crianças com a tinta invisível 
do medo de serem futuro 
escreviam os seus pedidos 
no muro que dava para o impossível, 

chão de estrelas onde dançavam 
a sua louca identidade 
de serem no dicionário 
da dor futura: saudade. 

Natália Correia, in 'O Dilúvio e a Pomba' 

domingo, 23 de dezembro de 2018

Aos Herodes do mundo

Nasce Mais uma Vez

Nasce mais uma vez,
Menino Deus!
Não faltes, que me faltas
Neste inverno gelado.
Nasce nu e sagrado
No meu poema,
Se não tens um presépio
Mais agasalhado.
Nasce e fica comigo
Secretamente,
Até que eu, infiel, te denuncie
Aos Herodes do mundo.
Até que eu, incapaz
De me calar,
Devasse os versos e destrua a paz
Que agora sinto, só de te sonhar.

Miguel Torga, in 'Diários'