terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Parabéns pelos teus 388 anos! Sempre atual!



Charles Perrault. A história do doodle de hoje

E você? Sabe contar?

4/1/2016, 12:39
É uma ilusão de ótica que está a correr pela Internet e que está a por todos em alvoroço: primeiro, porque não se sabe quantos rostos há realmente. E depois porque ninguém sabe quem a criou.
Quando se deita num descampado e põe os olhos num céu com nuvens é natural que encontre elefantes e bebés nos seus formatos. Encontrar formas pouco previsíveis no meio das nuvens é divertido, mas comum e portanto raramente impressionante. Já esta imagem foge a todas as regras: em vez de uma nuvem como protagonista tem uma árvore. E o ilustrador foi mais longe e desenhou rostos entre os galhos. Mas há um problema: quantos rostos consegue encontrar?


Embora não se saiba ao certo a origem desta imagem, o Independentescreve que os internautas têm escrito que a ilusão de um ótica pertence a um artista de 1880 que trabalhava para a Harper’s Illustrated. E supostamente mostra líderes de vários países cujos rostos estão desenhados por entre os ramos da árvore: o objetivo era adivinhar que países estariam retratados.
Outros creem que a imagem se refere à Índia porque conseguem identificar Gandhi num dos rostos.
Outros – os que não acreditam que a imagem nos tenha chegado do século XIX – conseguem ver Mikhael Gorbachev e Margaret Thatcher na ilusão. Isto tudo porque, explicam os psicólogos ao El País, o cérebro humano tem tendência para identificar rostos com celeridade em qualquer contexto.
A quantidade de rostos é que está a atrapalhar os utilizadores das redes sociais. É que uns conseguem identificar dez no máximo…

… outros conseguem encontrar doze, como explica a imagem abaixo. Qual é o seu caso?
Imagem tirada daqui

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

...vão à janela um bocadinho, olhem, voltem, sentem-se e escrevam...

"Basta uma janela para me fazer feliz e foi o que me aconteceu também quando cheguei à Sala 19. Era o Castelo, era o Tejo, era a cidade de mármore e granito (como dizem) a espreitar para dentro da aula. Vai, que fiz eu? Como queria tomar o pulso aos rapazes em matéria de escrita, propus-lhes aquele tema.
«Da varanda da nossa aula» podia muito bem ser o título da redacção; mas também podia ser outro, à escolha do freguês. O que eles escrevessem serviria para eu ver como escreviam, como viam e como imaginavam. À maneira de preparação, disse-lhes:
«Suponham que está aqui uma chávena da China. Vocês têm de escrever a partir dela e podem fazê-lo contando que ela tem este ou aquele feitio, esta ou aquela cor, um desenho que representa isto ou aquilo e tem a asa do lado esquerdo. Mas também não dizer nenhuma destas coisas e imaginar, com os olhos nela, uma coisa passada na China: chinesinhos de rabicho, arroz comido com pauzinhos, sei lá o quê. Ou fantasiar um chá das cinco em que serviu aquela chávena: quem estava nesse chá, o que se disse, o que se passou durante essa hora. Posto o que, vão à janela um bocadinho, olhem, voltem, sentem-se e escrevam o que quiserem, com o título ou subtítulo “Da varanda da nossa aula”.»
Os rapazes, feito o honesto barulho de correrem à varanda, atiraram-se à obra. Eu fui pacatamente olhar Lisboa, porque quero começar a fazer-lhes sentir que eles não devem copiar(...)."

(...)O que era bom era dar sempre uma aula como a de hoje!” (22 de Outubro de 1949); “E foi o que eu ontem não consegui...” (25 de Março de 1949)(...)

Sebastião da Gama 


domingo, 10 de janeiro de 2016

Nenhum desejo neste domingo


Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema
não sabe o que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.

Carlos Drummond de Andrade


sábado, 9 de janeiro de 2016

A inclusão em altos voos

Passengers with a physical disability can now rely on moving around the cabin 
on easyjet flights with aisle chairs now available on all planes.

In recent years, easyjet has been promoting access to air travel through the adoption of inclusive solutions and, more recently, the adoption of on-board wheelchairs and the announcement of the first fully accessible toilet on a single aisle plane.
All easyjet new Airbus A320 delivered after May 2016 will be featuring the wheelchair accessible lavatory. The airline also announced plans to retrofit its existing 76 A320s with the Space-Flex 2 lavatory. The airline said the process should be completed by 2018.
MedAire, a leading provider of medical and travel safety solutions for airlines and easyJet’s supplier of onboard medical kits, was instrumental in sourcing and supplying the on-board wheelchairs for the budget airline. The Air+Chair was chosen due to it being the most complaint chair on the market currently being used by airlines and airports in relation to the DPTAC (Disabled Persons Transport Advisory Committee) specification.
“Wherever they go and however they travel, passengers should be able to expect high quality service and supportive assistance,” easyJet Special Assistance Advisory Group (ESAAG) Chairman and former Home Secretary Lord David Blunkett said. “I am proud to say ESAAG played a front bench role in vetting and testing different aisle chairs to ensure easyJet would get a product designed to best meet the needs of customers with reduced mobility.”
The easyjet special assistance advisory group (esaag) advises easyjet on the needs of passengers requiring special assistance since 2012. The group was established by easyJet to provide the airline with strategic advice and practical guidance on the evolving needs of passengers requiring special assistance, reviewing, challenging and improving easyJet’s policies and procedures.
Reduced Mobility Rights founder Roberto Castiglioni is a member of esaag and chairs the Airport Experience sub-group.
“easyJet continues to add value to the customer experience by responding to the varied needs of its many passengers,” said Steven Bates, MD MedAire Europe. “MedAire is pleased to provide ongoing support based on our aviation experience of passengers with mobility impairments.”
Since 1985, MedAire, an International SOS company, has been a leading global provider of 24/7 in-flight medical advice; 24/7 medical and security support for crew while on duty travel; passenger fit-to-fly assessments; medical kits and equipment; crew medical training; and pre-travel medical review of MEDIF/MEDA.
Backed by two decades of in-flight medical event data, and an expert panel of aviation medical, regulatory, and operational experts, MedAire leverages their knowledge and historical data to provide airlines with the best medical kits for their aircraft.

Source: Reduced Mobility Rights

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

E a inclusão acontece

Com boa vontade e imaginação, os proprietários de um bar-restaurante em Bolonha, no norte da Itália, criaram um local completamente acessível a deficientes físicos - dentro e fora do balcão.
Inaugurado há poucas semanas, o L’Altro Spazio conta com uma série de simples adaptações que permitem o emprego de funcionários com limitações físicas.

A simplicidade das soluções pode ser notada já na entrada. Uma rampa de madeira, removível, facilita o ingresso de pessoas com dificuldades motoras, evitando reformas de grande porte, além da burocracia necessária para modificações na calçada pública.

Entre as novidades criadas especialmente para o local está um balcão de apenas 80cm de altura, que pode ser usado por cadeirantes, tanto de um lado quanto do outro. Dentro, as geladeiras, as garrafas, as máquinas de lavar copos e demais instrumentos de trabalho estão todos à altura de quem usa cadeira de rodas.


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Estou aquém, diz a lei

A última alteração à Lei n.º 113/2009, de 17 de setembro, publicada no Diário da República de 24 de agosto, obriga “a entidade empregadora ou responsável pelas atividades” “a pedir anualmente a quem exerce a profissão ou atividades cujo exercício envolva contacto regular com menores” um certificado de registo criminal e a ponderar a informação constante do mesmo na aferição da idoneidade para o exercício das funções.”
À primeira vista, parece uma medida empreendedora e muito importante…e é! Percebendo-se que há cada vez mais condenados por crimes de pedofilia e a necessidade de prevenir este mal junto dos mais jovens, aplaude-se a preocupação do legislador; no entanto, torna-se imperioso saber se a operacionalização da medida é consentânea com a sua generosidade.
Na verdade, o efeito prático ficou aquém do esperado, com dissabores desnecessários e eficácia e eficiência questionáveis. Penso mesmo que se escreveu direito por linhas muito tortas, mas a tempo de corrigir. De notar que este documento é pedido todos os anos aos professores contratados e entregue pelos docentes e não docentes dos quadros, no passado e no presente, em início de carreira, não mais sendo exigido.
Em primeiro lugar, parece uma oportunidade de negócio que o Estado não descartou; exigir tal documento, com periodicidade anual, cujo preço é de 5 euros, revelou-se um maná, uma autêntica mina financiadora. Se calcularmos, muito por baixo, que existem cerca de 150.000 profissionais (entre professores e pessoal não docente) na área da Educação que devem cumprir esta obrigação, depressa se entende o alcance da afirmação anterior. Esta conclusão, atingida por quase todos, caiu muito mal junto das comunidades educativas, que uma interpretação extensiva da letra da lei ocasionou.
Em segundo lugar, pergunta-se: qual o valor desta medida, se só passados 12 meses é que a entidade empregadora está obrigada a exigir novo certificado de registo criminal? Nesse espaço temporal, pode ter havido condenação e a entidade empregadora não ter conhecimento.
Em terceiro lugar, questiona-se a falta de articulação entre os ministérios da justiça e da educação e o desconhecimento em tempo real pela entidade empregadora da condenação. Os nossos governantes, em todas as áreas, muito particularmente na da educação, recorrem muito à palavra articulação, mas quando lhes toca, percebe-se o contrário…
Assim, e para ultrapassar esta situação criada pelo legislador, apresento dois critérios para uma solução:
1. O ministério da justiça deverá, o mais rapidamente possível, informar o ministério da educação da acusação pela prática de crimes contra a autodeterminação sexual e a liberdade sexual de menor e, posteriormente, da sentença após trânsito em julgado (não admissibilidade de qualquer tipo de recurso);
2. Quem exerce a profissão ou atividade que envolva contacto regular com menores não terá qualquer necessidade de entregar o certificado de registo criminal, muito menos com periodicidade anual, a não ser aquando do recrutamento; em tempo quase real, a entidade empregadora deve ter conhecimento da acusação e posterior sentença (absolutória ou condenatória), que a habilitará a aferir da “idoneidade para o exercício das funções.” Para isso, há necessidade de existência de uma excelente articulação entre os ministérios da justiça e da educação.
Só assim a eficácia e a eficiência desta lei serão atingidas, assegurando-se em tempo útil a defesa dos mais vulneráveis, que as delongas burocráticas prejudicam, quantas vezes inviabilizando o que de positivo apresentam. 
Professor/director


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O mundo está cheio de livros fantásticos que ninguém lê.(Umberto Eco)



Como é escrever um livro infantil sobre a Carolina, que é surda e cega? Ou fazer as ilustrações sobre o Tiago, que tem paralisia cerebral? É difícil. E é fácil. É o que dizem escritores e ilustradores que foram chamados a contribuir para a colecção “Meninos Especiais”.
Vasco Gargalo, ilustrador, pegou num pau de giz e desenhou ao desafio com Martim, num quadro de ardósia. Paula Delecave, designer, pousou a máquina fotográfica, sentou-se no chão e tocou nas mãos e no rosto de Matilde. Luísa Ducla Soares, escritora, passou a tarde numa esplanada a comer gelados e a beber coca-cola com Carolina. Tinham-lhes pedido que usassem o seu talento para construir pontes entre as crianças ditas normais e aqueles meninos com deficiências, mas todos eles descobriram que, primeiro, também eles tinham de as atravessar. “Talvez tenha sido a coisa mais difícil que já fiz”, reflecte a autora de livros infantis e juvenis Alice Vieira.
A Alice Vieira costumam perguntar: “Por que é que não escreves sobre o campo?” E ela responde aquilo que considera “ óbvio”: que o que conhece bem é a cidade e não gosta de escrever sobre o que não domina. Fala desta sua “mania” para explicar que tinha boas razões para rejeitar o desafio que lhe foi lançado pela presidente da associação Pais em Rede, Luísa Beltrão. E para sublinhar que, apesar disso, não conseguiu dizer que não ao convite para se reencontrar com João, um menino autista com quem contactara numa outra iniciativa da associação. Objectivo: conhecê-lo melhor e escrever uma história de que ele fosse o protagonista.
O livro de Alice Vieira – como os restantes oito, publicados ao ritmo de três por ano – é para crianças. E até à contracapa, em que aparece a fotografia do João e um texto sobre ele sobre o que é o autismo, parece um livro vulgar. “Parece, mas não é. Implicou muito tempo, muito cuidado, o receio de fazer mal, de perturbar os pais, de não conseguir fazer chegar o João aos leitores”, enumera a escritora.

A ideia de Luísa Beltrão foi usar as histórias e as ilustrações de pessoas conceituadas para trazer para a luz estas crianças. “Costuma ver pessoas com deficiências no parque infantil? E na esplanada ou no cinema? Mesmo na escola, que agora é obrigatória – estes meninos estão com os seus pares?” A presidente da associação Pais em Rede, ela própria mãe de uma mulher com deficiência, diz que, “salvo raríssimas excepções”, as respostas às suas perguntas são “não”, “não”, “não” e “não”: “Geralmente estas crianças, estes adultos, estão escondidos, vivem escondidos, são invisíveis”.

Como vai isso, em termos de acessibilidade?

Hélder Mestre vive em Lisboa e trabalha na Divisão de Administração de Sistemas, Infra-Estruturas e Comunicações, do Departamento de Sistemas de Informação da Câmara Municipal de Lisboa. Pratica atletismo adaptado, e participou no Campeonato Mundial Paralímpico de Atletismo no Qatar, tendo também obtido os mínimos para competir nos Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro em 2016.
Quais os percursos que compõem o seu quotidiano?
Hélder Mestre (HM)  No dia-a-dia, de forma geral, é casa-trabalho, trabalho-casa. Tenho carro, mas por hábito não o levo. Acrescento uma handbike, que me permite empurrar a cadeira quase como se fosse uma bicicleta, e é esse meio de transporte que utilizo no dia-a-dia. Facilita-me muito a vida porque me permite vencer os obstáculos com maior facilidade. Quando utilizo apenas a cadeira, como o passeio é todo em calçada e as rodas da frente são pequeninas, a cadeira trepida por todos os lados, por isso, sempre que posso vou pela estrada. Nem quando chove mudo os meus percursos ou uso o carro.
Como foi o processo de inserção na Câmara? Encontrou barreiras por ter mobilidade reduzida?
HM- Sim, barreiras físicas. O edifício onde comecei a trabalhar tinha à entrada um degrau de cerca de 10 cm de altura, por isso tinha sempre de pedir ajuda ao segurança para entrar. O elevador que havia no edifício era muito pequenino e eu só conseguia entrar tirando os apoios dos pés da cadeira. Também não havia casas-de-banho adaptadas. Dois anos depois mudei-me para o edifício onde estou agora, que na altura também não tinha acessos. Já não sei quanto tempo estive nessas condições, mas a nosso pedido, meu e da chefia, fizeram uma série de rampas, e neste momento tenho os acessos que preciso. Só a casa-de-banho é que ainda não existe em condições para quem tem mobilidade reduzida, mas desenvolvi um método que me permite utilizá-la mesmo assim.
Encontra limitações de acessibilidade ao nível dos serviços?
HM- Há sítios onde vamos e contávamos ter acessos e depois não temos. É o caso dos bancos, por exemplo. Antigamente chateava-me com isso, mas passei a aceitar que me atendam noutro local do banco. Sei que fazer isto assim é discriminatório, e há muitas pessoas na minha situação que sofrem com isso, mas eu tento dar a volta. Sou atendido na mesma, consigo fazer o que quero, e cumpro o objectivo a que me propus. Outra dificuldade é no centro de saúde que utilizo, em Sete Rios, que tem uma rampa tão inclinada que a cadeira escorrega. Tiveram a preocupação de fazer uma rampa, mas não tiveram o cuidado de a fazer de acordo com as regras. Aquilo não serve para nada assim. Outro problema são as caixas Multibanco. Eu conheço algumas acessíveis, tanto na zona de casa, como do trabalho. Sei aquelas onde posso ir, mas as que encontro geralmente na rua são de acesso impossível. Algumas até estão a uma altura acessível, mas à frente têm um degrau, portanto não as conseguimos usar na mesma. De uma forma geral, os centros comerciais e os hipermercados são os sítios onde temos melhores acessos.
Como se precavê de percursos com barreiras?
HM- Se eu souber que um sítio tem barreiras tento evitar. Se não tiver alternativa, vou até lá, analiso e vejo o que posso fazer. Muitas vezes utilizo o Google Earth antes, e, no street view vejo como é o acesso do sítio para onde estou a pensar ir, e em função disso elimino problemas que iria ter se não o tivesse feito. Acho que acima de tudo não nos podemos é chatear muito com isso, porque na maior parte dos sítios há sempre outras pessoas por perto, e é só pedir a pessoal jovem e com força, que eles ajudam. Às vezes pensamos que estamos a incomodar, e não estamos. As pessoas têm prazer em ajudar.
Há sítios onde as soluções seriam fáceis de encontrar…
HM- Sim, sem dúvida. O melhor exemplo são os passeios rebaixados. A maior parte desses acessos tem pelo menos dois centímetros de altura. Não consigo perceber por que é que aquilo está feito assim. Esse é o típico exemplo de uma obra que custaria exactamente o mesmo se fosse bem feita, no entanto está mal feita.
Quais as actividades de lazer que privilegia?
HM- Eu sempre fiz atletismo, sempre gostei e hoje continuo a fazer. Adoro! Além do atletismo, experimentei muitas coisas. Eu sabia nadar [antes do acidente], e depois tive que reaprender. Fiz natação durante alguns anos e experimentei remo, canoagem, andebol… Vou ao cinema e a concertos, e dou muitos passeios por Lisboa. Lamento que a Ribeira das Naus, que foi feita há pouco tempo, seja um sítio tão dramático para nós. Bastava que fosse lisinha, e já podíamos andar lá bem. Assim não, é um perigo e em vez de se apreciar o sítio, estamos sempre a debater-nos para não nos espalharmos no chão.
Essas actividades de lazer são condicionadas pelo facto de andar de cadeira de rodas?
HM- Muito sinceramente acho que actualmente já não, porque existe muita oferta. Por exemplo, o cinema do Campo Pequeno é excelente para nós. Eu acho que o mais importante nisto é a nossa postura. Eu tento sempre ir à procura da solução, sou muito pragmático nisso. E acho que a pessoa vive melhor assim.
Costuma fazer férias fora da cidade? Se sim, onde?
HM- Costumo ficar em Lisboa ou ir para o Algarve com o meu irmão. Quando vou para lá é mais difícil e ele tem de me ajudar. Costumo ir para a praia da Galé, onde existe um tiralô. Quando chegamos os nadadores-salvadores dão-nos o tiralô, que fica a nosso cargo, e quando é preciso ir ao banho utilizo-o com a ajuda do meu irmão. Tenho este cuidado de ir para uma praia onde há um tiralô, onde não há muita gente, e que tem bons acessos.
Sente que a cidade de Lisboa está pensada para quem não tem limitações de mobilidade?
HM- Sim, é isso mesmo! Há adaptações para nós mas são muitas vezes enviesadas, mal feitas e não estruturadas. Têm surgido ciclovias, que são uma coisa muito boa para quem anda em cadeira. Eu sou um grande cliente das ciclovias [risos]. É como andar na estrada com a vantagem de não ter carros. Eu queria era que se espalhassem muitas pela cidade. Quantas mais fizerem, melhor será para nós, para andarmos à vontade.
De que forma o facto de andar de cadeira de rodas influencia a forma como se vê a si próprio? E como os outros o veem?
HM- Essa pergunta é muito interessante, já tenho pensado sobre isso. Os meus colegas já me têm dito uma coisa engraçada: esquecem-se que eu ando de cadeira de rodas. Acho que é bom sinal [risos]. Não posso falar por aqueles que já nasceram assim, mas o meu caso, que vim parar à cadeira depois de um acidente, faz pensar. Isto aconteceu-me a mim, que sempre gostei de actividades com esforço físico. De repente fiquei tetraplégico. Andar de cadeira de rodas condiciona-me em certas coisas, mas também me criou uma perspectiva diferente sobre a vida. Não sei se fez de mim melhor pessoa, ou pior [risos]… Mas sei que andar de cadeira de rodas não me define. Acho que o meu trajecto e a minha postura são positivas e que isso é o mais importante. A alternativa era desistir e isso não se coloca como hipótese para mim.

o    Entrevista: Inês Maia
o    Imagem: Ricardo Mestre
o    Edição: Lisboa (In)Acessível


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Passo a passo, a inclusão acontece


A ideia andou a marinar na cabeça de Eric Kim Yoon Ju desde os tempos de faculdade. Na Universidade de Washington, o sul-coreano percebeu através da experiência de um colega cego como os livros traduzidos para braille podem ser extremamente volumosos — e, por isso, pouco práticos. O jovem começou na altura a imaginar um dispositivo que pudesse facilitar a vida a estas pessoas e a ideia está prestes a ser concluída. Chama-se Dot e é o primeiro "smartwatch" a transformar mensagens, e-mails e até e-books em braille.

Até agora, a solução passava por ouvir mensagens escritas com auxílio da "assistente pessoal" do iPhone, Siri, — algo que não só reduz a privacidade do receptor como, dependendo do contexto (com barulho ou em transportes públicos, por exemplo), pode ser tarefa complicada.

O Dot tem um mostrador com buracos perfurados e ímans no interior, que se tornam visíveis conforme o conteúdo das mensagens. Quando o utilizador é contactado, os ímans sobem e ao passar o dedo o utilizador lê a mensagem em braille.

"Esforçamo-nos por reduzir a discriminação sofrida por pessoas cegas", lê-se na página da start-up Dot. Os sul-coreanos estimam que apenas 1 por cento dos livros são traduzidos para braille e que o preço de um dispositivo digital de leitura é, em média, superior aos dois mil dólares (1800 euros). É por estas razões, apontam, que 95 por cento das pessoas cegas desistem de estudar braille.

Este "smartwatch" está em fase final de desenvolvimento e terá um preço de 300 dólares (cerca de 274 euros). Os produtos tecnológicos para pessoas cegas têm geralmente preços muito elevados — um computador portátil capaz de transmitir mensagens em braille pode custar mais de 2700 euros.


Fonte: P3 do Público

Tudo parece impossível até que seja feito.(Nelson Mandela)

Há uma contagem decrescente e o ano "2016" está metido ao barulho. E não é a chegada ao Ano Novo: é um problema matemático que nem sequer tem sinais de operação. Consegue resolvê-lo?
É quase certo que fez a contagem decrescente para um novo ano cheio de esperanças renovadas e sonhos recalculados. O que apostamos que não sabia é que, quando baixou do número dez, ficou perante um problema para lhe dar dores de cabeça. Quem o escreve é o The Guardian: o matemático Alex Bello, que escreve regularmente para o jornal britânico e testa os leitores com novos desafios, tem um novo mistério por resolver. Ora veja.
10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 = 2016
Esta é uma equação matemática. O resultado até já está devidamente colocado: o que falta são os sinais matemáticos. O que Alex Bello vem pedir é que coloquemos sinais aritméticos nos espaços entre os números de modo a que o resultado final seja “2o16”. Só pode usar os quatro básicos: soma (+), subtração (-), divisão (:) e multiplicação (x). Pode também utilizar parêntesis para indicar prioridades, se for necessário. E ainda raízes quadradas, potências e uma panóplia enorme de outras possibilidades, se quiser muito mostrar a sua aptidão. O importante é que não altere a ordem dos números. E que se divirta, pede o matemático.
A quem conseguir descobrir o maior número de combinações de símbolos capazes de preencher corretamente a equação matemática, Alex Bello promete oferecer a cópia de qualquer um dos livros publicados pelo cientista. Basta que lhe mostre as suas contas pelo Twitter ou por e-mail de acordo com as indicações do The Guardian. Pegue na folha e na caneta.

Proponha uma correção, sugira uma pista:
observador@observador.pt

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Eis-nos no reino das “artes, do desporto e das ciências experimentais”?

(...)

A IMPORTÂNCIA DA ESCOLA PÚBLICA, DAS ARTES E DO DESPORTO

Naquela que foi a sua primeira intervenção pública enquanto ministro da Educação, o novo responsável da pasta não trouxe anúncios nem novidades, mas o discurso é claramente diferente do seu antecessor no Governo de Passos Coelho.
Em vez de falar nas disciplinas “fundamentais” como a Matemática e o Português, como fazia muito Nuno Crato, insistiu na importância de “competências transversais”, das “artes, do desporto e das ciências experimentais”.
Mesmo a escolha da escola não foi indiferente. Localizada no bairro do Vale da Amoreira, no concelho da Moita, a secundária da Baixa da Banheira é o caso típico de uma escola que luta contra as adversidades do meio. Os pais dos alunos têm em média oito anos de escolaridade, quase metade das famílias são apoiadas pela ação social escolar e as pequenas conquistas começam muitas vezes por convencer os alunos a entrar da escola e nas salas de aula, admite o diretor José Lourenço.
“Viemos aqui porque é preciso conhecer a escola pública que temos, ouvir os professores – o ministro fez questão de se reunir com o corpo docente durante meia hora, à porta fechada -, identificar os desafios. Ao contrário da ideia de facilitismo, esta é uma escola onde existem imensas exigências e preocupações”, justificou o ministro no final, insistindo na importância da “escola pública” e do “serviço nacional de educação” como motores da “mobilidade social”. Nesse sentido, insistiu, o combate ao abandono escolar a promoção do sucesso são as suas “prioridades” para o mandato.


Vá pelos seus dedos


 Neste dia assinala-se o nascimento de Louis Braille, o criador do sistema de leitura e de escrita Braille, que permite através do toque facilitar a vida das pessoas invisuais e a sua integração na sociedade.
Louis Braille ficou cego aos 3 anos de idade e aos 20 anos conseguiu formar um alfabeto com diferentes combinações de 1 a 6 pontos que se alastrou pelo mundo e que ainda hoje é usado como forma oficial de escrita e de leitura das pessoas cegas.
Deste modo, hoje é um dia muito importante, 4 de Janeiro, data de nascimento de Louis Braille e Dia Mundial do Braille


Um pouco sobre Luís Braille:
 Nasceu em Coupvray, França, a 4 de Janeiro de 1809. Aos 3 anos de idade, quando brincava na oficina de seu pai, feriu‐se num dos olhos, e em consequência de uma infecção que progrediu e se alastrou ao outro olho, levando a que, pouco tempo depois, Luís Braille viria a ficar completamente cego. Mais tarde, quando tinha cerca 10 anos de idade, ingressou na Escola de cegos Valentin Hay onde se destacou na aprendizagem de órgão. Inspirando‐se no código, inventado pelo Capitão de artilharia do exército francês, Charles Barbier de la Serre ‐ que o utilizou para comunicar com os seus soldados em tempo de guerra ‐ Luís Braille concebeu um sistema ao qual foi atribuído o seu próprio nome.


A todos os que gostariam de aprender Braille.
Aqui vai o Braille Virtual que é um curso on-line aberto, público e gratuito, destinado à difusão e ensino do sistema Braille a pessoas que veem.



O que falta cumprir-se?

´Público de 03/01/2015 (Página 12)

  • Asseverar acesso a um desenvolvimento de qualidade na primeira fase da infância;
  • Garantir igualdade de acesso à educação técnica, profissional e superior de qualidade, a preços acessíveis;
  • Aumentar o número de jovens e adultos com habilitações relevantes;
  • Assegurar que todos sabem como promover o desenvolvimento sustentável;
  • Construir e melhorar instalações físicas para educação;
  • Ampliar o número de bolsas de estudo e o contingente de professores qualificados nos países em desenvolvimento.


sábado, 2 de janeiro de 2016

Ensaio sobre a cegueira (2)

UnTripAdvisor para ciegos

Como si fuera un TripAdvisor para personas ciegas, una app provee información sobre comercios tradicionales de Granada. La aplicación Outbarriers se activa por un sistema de baliza cuando la persona se encuentra a pocos metros del local, y le precisa de qué comercio se trata y cómo es el acceso y sus características.
“Restaurante, escalón medio en la entrada. Barra a la izquierda, aseos a la derecha”, es uno de los mensajes que los usuarios de esta aplicación pueden escuchar al llegar a alguno de los establecimientos adheridos a esta iniciativa.
Los comercios participantes se conocen como Los 40 Esenciales, y cuentan con un amplio reconocimiento de turistas y anfitriones granadinos, como la heladería Los Italianos, el restaurante Chikito, la pastelería Casa Isla o el hotel Alhambra Palace, entre otros.
Desafío lanzado
El proyecto Outbarriers nació tras el desafío que Antonio, ciego desde hace 14 años, lanzó a sus amigos Adrián Martínez y José María Robles. Antonio se quejaba ante estos ingenieros informáticos de las pocas ayudas tecnológicas que existen para ciegos, y la inquietud quedó sembrada.
El proyecto comenzó a tomar forma en 2014, luego de ganar el 3º premio en el concurso internacional de Smart Society, en Sevilla, y se convirtió en una aplicación tras lograr el apoyo de FI-C3, programa europeo de aceleración de start-ups.
Expansión de la aplicación
Cada comercio participante paga cinco euros mensuales para ser incluido en la aplicación. La baliza que se ubica en la entrada casi no requiere de mantenimiento, y su batería dura casi dos años.
El número de comercios, la mayoría ubicados en el centro histórico de Granada, puede ampliarse en un plazo cercano, luego del acuerdo que Outbarriers firmó con elCentro Comercial Abierto, que cuenta con 300 asociados.
Además de informar sobre las características de los comercios, Outbarriers fomenta la solidaridad, ya que cualquier persona puede ser voluntario e informar sobre obstáculos y problemas de movilidad en la calle, como obras, socavones o barreras arquitectónicas. Los creadores de la aplicación esperan que estos puntos críticos cuenten con el sistema de balizas, donados por alguna empresa o particular, para advertir a los ciegos de su presencia.

Fuente: 02B

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Ensinando a voar

O que a mãe desse menino cego fez é o maior exemplo de como criar um filho

Clique para ver o vídeo
Ela pediu para seu filho Miguel, que é deficiente visual, buscar uma panela na casa da avó. Apesar de suas dificuldades, ela pediu para que fosse sozinho. Sem ele perceber, ela o acompanhou por todo o caminho. Esse vídeo vai emocionar você.

Sinto-me corado, disse ele.

Lido aqui.