terça-feira, 12 de janeiro de 2016
E você? Sabe contar?
4/1/2016, 12:39
É uma ilusão de ótica que está a correr
pela Internet e que está a por todos em alvoroço: primeiro, porque não se sabe
quantos rostos há realmente. E depois porque ninguém sabe quem a criou.
Quando se deita num
descampado e põe os olhos num céu com nuvens é natural que encontre elefantes e
bebés nos seus formatos. Encontrar formas pouco previsíveis no meio das nuvens
é divertido, mas comum e portanto raramente impressionante. Já esta imagem foge
a todas as regras: em vez de uma nuvem como protagonista tem uma árvore. E o
ilustrador foi mais longe e desenhou rostos entre os galhos. Mas há um
problema: quantos rostos consegue encontrar?
Embora não se saiba ao certo a origem
desta imagem, o Independentescreve que
os internautas têm escrito que a ilusão de um ótica pertence a um artista de
1880 que trabalhava para a Harper’s Illustrated. E supostamente mostra líderes
de vários países cujos rostos estão desenhados por entre os ramos da árvore: o
objetivo era adivinhar que países estariam retratados.
Outros creem que a
imagem se refere à Índia porque conseguem identificar Gandhi num dos rostos.
Outros – os que não
acreditam que a imagem nos tenha chegado do século XIX – conseguem ver Mikhael
Gorbachev e Margaret Thatcher na ilusão. Isto tudo porque, explicam os
psicólogos ao El País, o cérebro humano tem tendência para identificar rostos
com celeridade em qualquer contexto.
A quantidade de rostos
é que está a atrapalhar os utilizadores das redes sociais. É que uns conseguem
identificar dez no máximo…
… outros conseguem
encontrar doze, como explica a imagem abaixo. Qual é o seu caso?
![]() |
| Imagem tirada daqui |
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
...vão à janela um bocadinho, olhem, voltem, sentem-se e escrevam...
"Basta
uma janela para me fazer feliz e foi o que me aconteceu também quando cheguei à
Sala 19. Era o Castelo, era o Tejo, era a cidade de mármore e granito (como
dizem) a espreitar para dentro da aula. Vai, que fiz eu? Como queria tomar o
pulso aos rapazes em matéria de escrita, propus-lhes aquele tema.
«Da varanda
da nossa aula» podia muito bem ser o título da redacção; mas também podia ser
outro, à escolha do freguês. O que eles escrevessem serviria para eu ver como
escreviam, como viam e como imaginavam. À maneira de preparação, disse-lhes:
«Suponham que
está aqui uma chávena da China. Vocês têm de escrever a partir dela e podem
fazê-lo contando que ela tem este ou aquele feitio, esta ou aquela cor, um
desenho que representa isto ou aquilo e tem a asa do lado esquerdo. Mas também
não dizer nenhuma destas coisas e imaginar, com os olhos nela, uma coisa
passada na China: chinesinhos de rabicho, arroz comido com pauzinhos, sei lá o
quê. Ou fantasiar um chá das cinco em que serviu aquela chávena: quem estava nesse
chá, o que se disse, o que se passou durante essa hora. Posto o que, vão à
janela um bocadinho, olhem, voltem, sentem-se e escrevam o que quiserem, com o
título ou subtítulo “Da varanda da nossa aula”.»
Os rapazes,
feito o honesto barulho de correrem à varanda, atiraram-se à obra. Eu fui
pacatamente olhar Lisboa, porque quero começar a fazer-lhes sentir que eles não
devem copiar(...)."
(...)O que era
bom era dar sempre uma aula como a de hoje!” (22 de Outubro de 1949); “E foi o que eu ontem não consegui...” (25
de Março de 1949)(...)
Sebastião da Gama
domingo, 10 de janeiro de 2016
Nenhum desejo neste domingo
Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.
A mão que escreve este poema
não sabe o que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.
A mão que escreve este poema
não sabe o que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.
Carlos Drummond de Andrade
sábado, 9 de janeiro de 2016
A inclusão em altos voos
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
E a inclusão acontece
Com boa vontade e imaginação, os proprietários de um bar-restaurante
em Bolonha, no norte da Itália, criaram um local completamente acessível a
deficientes físicos - dentro e fora do balcão.
Inaugurado há poucas semanas, o L’Altro Spazio conta
com uma série de simples adaptações que permitem o emprego de funcionários com
limitações físicas.
A simplicidade das soluções pode ser notada já na entrada. Uma rampa de madeira, removível, facilita o ingresso de pessoas com dificuldades motoras, evitando reformas de grande porte, além da burocracia necessária para modificações na calçada pública.
Entre as novidades criadas especialmente para o local está um balcão de apenas 80cm de altura, que pode ser usado por cadeirantes, tanto de um lado quanto do outro. Dentro, as geladeiras, as garrafas, as máquinas de lavar copos e demais instrumentos de trabalho estão todos à altura de quem usa cadeira de rodas.
A simplicidade das soluções pode ser notada já na entrada. Uma rampa de madeira, removível, facilita o ingresso de pessoas com dificuldades motoras, evitando reformas de grande porte, além da burocracia necessária para modificações na calçada pública.
Entre as novidades criadas especialmente para o local está um balcão de apenas 80cm de altura, que pode ser usado por cadeirantes, tanto de um lado quanto do outro. Dentro, as geladeiras, as garrafas, as máquinas de lavar copos e demais instrumentos de trabalho estão todos à altura de quem usa cadeira de rodas.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Estou aquém, diz a lei
FILINTO LIMA
A última alteração à Lei
n.º 113/2009, de 17 de setembro, publicada no Diário da República de 24 de agosto, obriga “a
entidade empregadora ou responsável pelas atividades” “a pedir anualmente a
quem exerce a profissão ou atividades cujo exercício envolva contacto regular
com menores” um certificado de registo criminal e a ponderar a informação
constante do mesmo na aferição da idoneidade para o exercício das funções.”
À primeira vista, parece
uma medida empreendedora e muito importante…e é! Percebendo-se que há cada vez
mais condenados por crimes de pedofilia e a necessidade de prevenir este mal
junto dos mais jovens, aplaude-se a preocupação do legislador; no entanto,
torna-se imperioso saber se a operacionalização da medida é consentânea com a
sua generosidade.
Na verdade, o efeito
prático ficou aquém do esperado, com dissabores desnecessários e eficácia e
eficiência questionáveis. Penso mesmo que se escreveu direito por linhas muito
tortas, mas a tempo de corrigir. De notar que este documento é pedido todos os
anos aos professores contratados e entregue pelos docentes e não docentes dos
quadros, no passado e no presente, em início de carreira, não mais sendo
exigido.
Em primeiro lugar,
parece uma oportunidade de negócio que o Estado não descartou; exigir tal
documento, com periodicidade anual, cujo preço é de 5 euros, revelou-se um
maná, uma autêntica mina financiadora. Se calcularmos, muito por baixo, que
existem cerca de 150.000 profissionais (entre professores e pessoal não
docente) na área da Educação que devem cumprir esta obrigação, depressa se
entende o alcance da afirmação anterior. Esta conclusão, atingida por quase
todos, caiu muito mal junto das comunidades educativas, que uma interpretação
extensiva da letra da lei ocasionou.
Em segundo lugar, pergunta-se:
qual o valor desta medida, se só passados 12 meses é que a entidade empregadora
está obrigada a exigir novo certificado de registo criminal? Nesse espaço
temporal, pode ter havido condenação e a entidade empregadora não ter
conhecimento.
Em terceiro lugar,
questiona-se a falta de articulação entre os ministérios da justiça e da
educação e o desconhecimento em tempo real pela entidade empregadora da
condenação. Os nossos governantes, em todas as áreas, muito particularmente na
da educação, recorrem muito à palavra articulação, mas quando lhes toca,
percebe-se o contrário…
Assim, e para
ultrapassar esta situação criada pelo legislador, apresento dois critérios para
uma solução:
1. O ministério da
justiça deverá, o mais rapidamente possível, informar o ministério da educação
da acusação pela prática de crimes contra a autodeterminação sexual e a
liberdade sexual de menor e, posteriormente, da sentença após trânsito em
julgado (não admissibilidade de qualquer tipo de recurso);
2. Quem exerce a
profissão ou atividade que envolva contacto regular com menores não terá
qualquer necessidade de entregar o certificado de registo criminal, muito menos
com periodicidade anual, a não ser aquando do recrutamento; em tempo quase
real, a entidade empregadora deve ter conhecimento da acusação e posterior
sentença (absolutória ou condenatória), que a habilitará a aferir da
“idoneidade para o exercício das funções.” Para isso, há necessidade de
existência de uma excelente articulação entre os ministérios da justiça e da educação.
Só assim a eficácia e a
eficiência desta lei serão atingidas, assegurando-se em tempo útil a defesa dos
mais vulneráveis, que as delongas burocráticas prejudicam, quantas vezes
inviabilizando o que de positivo apresentam.
Professor/director
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
O mundo está cheio de livros fantásticos que ninguém lê.(Umberto Eco)
Como é escrever um livro infantil
sobre a Carolina, que é surda e cega? Ou fazer as ilustrações sobre o Tiago,
que tem paralisia cerebral? É difícil. E é fácil. É o que dizem escritores e
ilustradores que foram chamados a contribuir para a colecção “Meninos
Especiais”.
Vasco Gargalo, ilustrador, pegou num
pau de giz e desenhou ao desafio com Martim, num quadro de ardósia. Paula
Delecave, designer, pousou a máquina fotográfica, sentou-se no chão e tocou nas
mãos e no rosto de Matilde. Luísa Ducla Soares, escritora, passou a tarde numa
esplanada a comer gelados e a beber coca-cola com Carolina. Tinham-lhes pedido
que usassem o seu talento para construir pontes entre as crianças ditas normais
e aqueles meninos com deficiências, mas todos eles descobriram que, primeiro,
também eles tinham de as atravessar. “Talvez tenha sido a coisa mais difícil
que já fiz”, reflecte a autora de livros infantis e juvenis Alice Vieira.
A Alice Vieira
costumam perguntar: “Por que é que não escreves sobre o campo?” E ela responde
aquilo que considera “ óbvio”: que o que conhece bem é a cidade e não gosta de
escrever sobre o que não domina. Fala desta sua “mania” para explicar que tinha
boas razões para rejeitar o desafio que lhe foi lançado pela presidente da
associação Pais em Rede, Luísa Beltrão. E para sublinhar que, apesar disso, não
conseguiu dizer que não ao convite para se reencontrar com João, um menino
autista com quem contactara numa outra iniciativa da associação. Objectivo:
conhecê-lo melhor e escrever uma história de que ele fosse o protagonista.
O livro de
Alice Vieira – como os restantes oito, publicados ao ritmo de três por ano – é
para crianças. E até à contracapa, em que aparece a fotografia do João e um
texto sobre ele sobre o que é o autismo, parece um livro vulgar. “Parece, mas
não é. Implicou muito tempo, muito cuidado, o receio de fazer mal, de perturbar
os pais, de não conseguir fazer chegar o João aos leitores”, enumera a
escritora.
A ideia de
Luísa Beltrão foi usar as histórias e as ilustrações de pessoas conceituadas
para trazer para a luz estas crianças. “Costuma ver pessoas com deficiências no
parque infantil? E na esplanada ou no cinema? Mesmo na escola, que agora é
obrigatória – estes meninos estão com os seus pares?” A presidente da
associação Pais em Rede, ela própria mãe de uma mulher com deficiência, diz
que, “salvo raríssimas excepções”, as respostas às suas perguntas são “não”,
“não”, “não” e “não”: “Geralmente estas crianças, estes adultos, estão
escondidos, vivem escondidos, são invisíveis”.
Como vai isso, em termos de acessibilidade?
Hélder
Mestre vive em Lisboa e trabalha na Divisão de Administração de Sistemas,
Infra-Estruturas e Comunicações, do Departamento de Sistemas de Informação da
Câmara Municipal de Lisboa. Pratica atletismo adaptado, e participou no
Campeonato Mundial Paralímpico de Atletismo no Qatar, tendo também obtido os
mínimos para competir nos Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro em 2016.
Quais
os percursos que compõem o seu quotidiano?
Hélder
Mestre (HM) No dia-a-dia, de forma geral, é
casa-trabalho, trabalho-casa. Tenho carro, mas por hábito não o levo.
Acrescento uma handbike, que me permite empurrar a cadeira quase como se fosse
uma bicicleta, e é esse meio de transporte que utilizo no dia-a-dia.
Facilita-me muito a vida porque me permite vencer os obstáculos com maior
facilidade. Quando utilizo apenas a cadeira, como o passeio é todo em calçada e
as rodas da frente são pequeninas, a cadeira trepida por todos os lados, por
isso, sempre que posso vou pela estrada. Nem quando chove mudo os meus
percursos ou uso o carro.
Como foi o processo de inserção na Câmara?
Encontrou barreiras por ter mobilidade reduzida?
HM- Sim,
barreiras físicas. O edifício onde comecei a trabalhar tinha à entrada um
degrau de cerca de 10 cm de altura, por isso tinha sempre de pedir ajuda ao segurança
para entrar. O elevador que havia no edifício era muito pequenino e eu só
conseguia entrar tirando os apoios dos pés da cadeira. Também não havia
casas-de-banho adaptadas. Dois anos depois mudei-me para o edifício onde estou
agora, que na altura também não tinha acessos. Já não sei quanto tempo estive
nessas condições, mas a nosso pedido, meu e da chefia, fizeram uma série de
rampas, e neste momento tenho os acessos que preciso. Só a casa-de-banho é que
ainda não existe em condições para quem tem mobilidade reduzida, mas desenvolvi
um método que me permite utilizá-la mesmo assim.
Encontra limitações de acessibilidade ao
nível dos serviços?
HM- Há
sítios onde vamos e contávamos ter acessos e depois não temos. É o caso dos
bancos, por exemplo. Antigamente chateava-me com isso, mas passei a aceitar que
me atendam noutro local do banco. Sei que fazer isto assim é discriminatório, e
há muitas pessoas na minha situação que sofrem com isso, mas eu tento dar a
volta. Sou atendido na mesma, consigo fazer o que quero, e cumpro o objectivo a
que me propus. Outra dificuldade é no centro de saúde que utilizo, em Sete
Rios, que tem uma rampa tão inclinada que a cadeira escorrega. Tiveram a
preocupação de fazer uma rampa, mas não tiveram o cuidado de a fazer de acordo
com as regras. Aquilo não serve para nada assim. Outro problema são as caixas
Multibanco. Eu conheço algumas acessíveis, tanto na zona de casa, como do
trabalho. Sei aquelas onde posso ir, mas as que encontro geralmente na rua são
de acesso impossível. Algumas até estão a uma altura acessível, mas à frente
têm um degrau, portanto não as conseguimos usar na mesma. De uma forma geral,
os centros comerciais e os hipermercados são os sítios onde temos melhores
acessos.
Como se
precavê de percursos com barreiras?
HM- Se eu
souber que um sítio tem barreiras tento evitar. Se não tiver alternativa, vou
até lá, analiso e vejo o que posso fazer. Muitas vezes utilizo o Google Earth
antes, e, no street view vejo como é o acesso do sítio para onde estou a pensar
ir, e em função disso elimino problemas que iria ter se não o tivesse feito.
Acho que acima de tudo não nos podemos é chatear muito com isso, porque na
maior parte dos sítios há sempre outras pessoas por perto, e é só pedir a
pessoal jovem e com força, que eles ajudam. Às vezes pensamos que estamos a
incomodar, e não estamos. As pessoas têm prazer em ajudar.
Há sítios onde as soluções seriam fáceis
de encontrar…
HM- Sim,
sem dúvida. O melhor exemplo são os passeios rebaixados. A maior parte desses
acessos tem pelo menos dois centímetros de altura. Não consigo perceber por que
é que aquilo está feito assim. Esse é o típico exemplo de uma obra que custaria
exactamente o mesmo se fosse bem feita, no entanto está mal feita.
Quais as actividades de lazer que
privilegia?
HM- Eu
sempre fiz atletismo, sempre gostei e hoje continuo a fazer. Adoro! Além do
atletismo, experimentei muitas coisas. Eu sabia nadar [antes do acidente], e
depois tive que reaprender. Fiz natação durante alguns anos e experimentei
remo, canoagem, andebol… Vou ao cinema e a concertos, e dou muitos passeios por
Lisboa. Lamento que a Ribeira das Naus, que foi feita há pouco tempo, seja um
sítio tão dramático para nós. Bastava que fosse lisinha, e já podíamos andar lá
bem. Assim não, é um perigo e em vez de se apreciar o sítio, estamos sempre a
debater-nos para não nos espalharmos no chão.
Essas actividades de lazer são
condicionadas pelo facto de andar de cadeira de rodas?
HM- Muito
sinceramente acho que actualmente já não, porque existe muita oferta. Por
exemplo, o cinema do Campo Pequeno é excelente para nós. Eu acho que o mais
importante nisto é a nossa postura. Eu tento sempre ir à procura da solução,
sou muito pragmático nisso. E acho que a pessoa vive melhor assim.
Costuma fazer férias fora da cidade? Se
sim, onde?
HM- Costumo
ficar em Lisboa ou ir para o Algarve com o meu irmão. Quando vou para lá é mais
difícil e ele tem de me ajudar. Costumo ir para a praia da Galé, onde existe um
tiralô. Quando chegamos os nadadores-salvadores dão-nos o tiralô, que fica a
nosso cargo, e quando é preciso ir ao banho utilizo-o com a ajuda do meu irmão.
Tenho este cuidado de ir para uma praia onde há um tiralô, onde não há muita
gente, e que tem bons acessos.
Sente que a cidade de Lisboa está pensada
para quem não tem limitações de mobilidade?
HM- Sim, é
isso mesmo! Há adaptações para nós mas são muitas vezes enviesadas, mal feitas
e não estruturadas. Têm surgido ciclovias, que são uma coisa muito boa para
quem anda em cadeira. Eu sou um grande cliente das ciclovias [risos]. É como
andar na estrada com a vantagem de não ter carros. Eu queria era que se
espalhassem muitas pela cidade. Quantas mais fizerem, melhor será para nós,
para andarmos à vontade.
De que forma o facto de andar de cadeira
de rodas influencia a forma como se vê a si próprio? E como os outros o veem?
HM- Essa
pergunta é muito interessante, já tenho pensado sobre isso. Os meus colegas já
me têm dito uma coisa engraçada: esquecem-se que eu ando de cadeira de rodas.
Acho que é bom sinal [risos]. Não posso falar por aqueles que já nasceram
assim, mas o meu caso, que vim parar à cadeira depois de um acidente, faz
pensar. Isto aconteceu-me a mim, que sempre gostei de actividades com esforço
físico. De repente fiquei tetraplégico. Andar de cadeira de rodas condiciona-me
em certas coisas, mas também me criou uma perspectiva diferente sobre a vida.
Não sei se fez de mim melhor pessoa, ou pior [risos]… Mas sei que andar de
cadeira de rodas não me define. Acho que o meu trajecto e a minha postura são
positivas e que isso é o mais importante. A alternativa era desistir e isso não
se coloca como hipótese para mim.
o
Entrevista: Inês
Maia
o
Imagem: Ricardo Mestre
o
Edição: Lisboa (In)Acessível
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Passo a passo, a inclusão acontece
A ideia andou a marinar na cabeça de
Eric Kim Yoon Ju desde os tempos de faculdade. Na Universidade de Washington, o
sul-coreano percebeu através da experiência de um colega cego como os livros
traduzidos para braille podem ser extremamente volumosos — e, por isso, pouco
práticos. O jovem começou na altura a imaginar um dispositivo que pudesse
facilitar a vida a estas pessoas e a ideia está prestes a ser concluída.
Chama-se Dot e é o primeiro "smartwatch" a transformar mensagens,
e-mails e até e-books em braille.
Até agora, a solução passava por ouvir mensagens
escritas com auxílio da "assistente pessoal" do iPhone, Siri, — algo
que não só reduz a privacidade do receptor como, dependendo do contexto (com
barulho ou em transportes públicos, por exemplo), pode ser tarefa complicada.
O Dot tem um mostrador
com buracos perfurados e ímans no interior, que se tornam visíveis conforme o
conteúdo das mensagens. Quando o utilizador é contactado, os ímans sobem e ao
passar o dedo o utilizador lê a mensagem em braille.
"Esforçamo-nos por reduzir a discriminação
sofrida por pessoas cegas", lê-se na página da start-up Dot. Os
sul-coreanos estimam que apenas 1 por cento dos livros são traduzidos para braille
e que o preço de um dispositivo digital de leitura é, em média, superior aos
dois mil dólares (1800 euros). É por estas razões, apontam, que 95 por cento
das pessoas cegas desistem de estudar braille.
Este "smartwatch" está em fase final de
desenvolvimento e terá um preço de 300 dólares (cerca de 274 euros). Os
produtos tecnológicos para pessoas cegas têm geralmente preços muito elevados —
um computador portátil capaz de transmitir mensagens em braille pode custar
mais de 2700 euros.
Fonte: P3 do
Público
Tudo parece impossível até que seja feito.(Nelson Mandela)
Há uma contagem decrescente e o ano
"2016" está metido ao barulho. E não é a chegada ao Ano Novo: é um
problema matemático que nem sequer tem sinais de operação. Consegue resolvê-lo?
É quase certo que fez
a contagem decrescente para um novo ano cheio de esperanças renovadas e sonhos
recalculados. O que apostamos que não sabia é que, quando baixou do número dez,
ficou perante um problema para lhe dar dores de cabeça. Quem o escreve é o The Guardian: o
matemático Alex Bello, que escreve regularmente para o jornal britânico e testa
os leitores com novos desafios, tem um novo mistério por resolver. Ora veja.
10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 = 2016
Esta é uma equação
matemática. O resultado até já está devidamente colocado: o que falta são os
sinais matemáticos. O que Alex Bello vem pedir é que coloquemos sinais
aritméticos nos espaços entre os números de modo a que o resultado final seja
“2o16”. Só pode usar os quatro básicos: soma (+), subtração (-), divisão (:) e
multiplicação (x). Pode também utilizar parêntesis para indicar prioridades, se
for necessário. E ainda raízes quadradas, potências e uma panóplia enorme de
outras possibilidades, se quiser muito mostrar a sua aptidão. O importante é
que não altere a ordem dos números. E que se divirta, pede o matemático.
A quem conseguir
descobrir o maior número de combinações de símbolos capazes de preencher
corretamente a equação matemática, Alex Bello promete oferecer a cópia de
qualquer um dos livros publicados pelo cientista. Basta que lhe mostre as suas
contas pelo Twitter ou por e-mail de acordo com as indicações do The Guardian. Pegue na
folha e na caneta.
Proponha uma correção, sugira uma pista:
observador@observador.pt
observador@observador.pt
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Eis-nos no reino das “artes, do desporto e das ciências experimentais”?
(...)
A IMPORTÂNCIA DA ESCOLA
PÚBLICA, DAS ARTES E DO DESPORTO
Naquela que foi a sua primeira intervenção pública enquanto
ministro da Educação, o novo responsável da pasta não trouxe anúncios nem
novidades, mas o discurso é claramente diferente do seu antecessor no Governo
de Passos Coelho.
Em vez de falar nas disciplinas “fundamentais” como a Matemática e
o Português, como fazia muito Nuno Crato, insistiu na importância de
“competências transversais”, das “artes, do desporto e das ciências
experimentais”.
Mesmo a escolha da escola não foi indiferente. Localizada no bairro
do Vale da Amoreira, no concelho da Moita, a secundária da Baixa da Banheira é
o caso típico de uma escola que luta contra as adversidades do meio. Os pais
dos alunos têm em média oito anos de escolaridade, quase metade das famílias
são apoiadas pela ação social escolar e as pequenas conquistas começam muitas
vezes por convencer os alunos a entrar da escola e nas salas de aula, admite o
diretor José Lourenço.
“Viemos aqui porque é preciso conhecer a escola pública que temos,
ouvir os professores – o ministro fez questão de se reunir com o corpo docente
durante meia hora, à porta fechada -, identificar os desafios. Ao contrário da
ideia de facilitismo, esta é uma escola onde existem imensas exigências e
preocupações”, justificou o ministro no final, insistindo na importância da
“escola pública” e do “serviço nacional de educação” como motores da
“mobilidade social”. Nesse sentido, insistiu, o combate ao abandono escolar a
promoção do sucesso são as suas “prioridades” para o mandato.
Vá pelos seus dedos
Neste dia assinala-se o nascimento de Louis Braille, o
criador do sistema de leitura e de escrita Braille, que permite através do
toque facilitar a vida das pessoas invisuais e a sua integração na sociedade.
Louis Braille ficou cego aos 3 anos de idade e aos 20
anos conseguiu formar um alfabeto com diferentes combinações de 1 a 6 pontos
que se alastrou pelo mundo e que ainda hoje é usado como forma oficial de
escrita e de leitura das pessoas cegas.
Deste modo, hoje é um dia muito importante, 4 de Janeiro, data de
nascimento de Louis Braille e Dia Mundial do Braille
Um pouco
sobre Luís Braille:
Nasceu em Coupvray, França, a 4 de Janeiro de
1809. Aos 3 anos de idade, quando brincava na oficina de seu pai, feriu‐se num dos olhos, e em consequência de uma infecção
que progrediu e se alastrou ao outro olho, levando a que, pouco tempo depois,
Luís Braille viria a ficar completamente cego. Mais tarde, quando tinha cerca
10 anos de idade, ingressou na Escola de cegos Valentin Hay onde se destacou na
aprendizagem de órgão. Inspirando‐se no
código, inventado pelo Capitão de artilharia do exército francês, Charles
Barbier de la Serre ‐ que o
utilizou para comunicar com os seus soldados em tempo de guerra ‐ Luís Braille concebeu um sistema ao qual foi
atribuído o seu próprio nome.
A todos os que gostariam de aprender Braille.
Aqui vai o Braille Virtual que é um curso on-line aberto, público e gratuito,
destinado à difusão e ensino do sistema Braille a pessoas que veem.
O que falta cumprir-se?
- Asseverar acesso a um desenvolvimento de qualidade na primeira fase da infância;
- Garantir igualdade de acesso à educação técnica, profissional e superior de qualidade, a preços acessíveis;
- Aumentar o número de jovens e adultos com habilitações relevantes;
- Assegurar que todos sabem como promover o desenvolvimento sustentável;
- Construir e melhorar instalações físicas para educação;
- Ampliar o número de bolsas de estudo e o contingente de professores qualificados nos países em desenvolvimento.
domingo, 3 de janeiro de 2016
sábado, 2 de janeiro de 2016
Ensaio sobre a cegueira (2)
UnTripAdvisor para ciegos
Como si fuera un TripAdvisor
para personas ciegas, una app provee información sobre comercios
tradicionales de Granada. La aplicación Outbarriers se activa por un
sistema de baliza cuando la persona se encuentra a pocos metros del local, y le
precisa de qué comercio se trata y cómo es el acceso y sus características.
“Restaurante, escalón medio
en la entrada. Barra a la izquierda, aseos a la derecha”, es uno de los
mensajes que los usuarios de esta aplicación pueden escuchar al llegar a alguno
de los establecimientos adheridos a esta iniciativa.
Los comercios participantes
se conocen como Los 40 Esenciales, y cuentan con un amplio
reconocimiento de turistas y anfitriones granadinos, como la heladería Los
Italianos, el restaurante Chikito, la pastelería Casa Isla o el
hotel Alhambra Palace, entre otros.
Desafío lanzado
El proyecto Outbarriers
nació tras el desafío que Antonio, ciego desde hace 14 años, lanzó a sus
amigos Adrián Martínez y José María Robles. Antonio se quejaba
ante estos ingenieros informáticos de las pocas ayudas tecnológicas que existen
para ciegos, y la inquietud quedó sembrada.
El proyecto comenzó a tomar
forma en 2014, luego de ganar el 3º premio en el concurso internacional de Smart
Society, en Sevilla, y se convirtió en una aplicación tras lograr el apoyo de FI-C3,
programa europeo de aceleración de start-ups.
Expansión de la aplicación
Cada comercio participante
paga cinco euros mensuales para ser incluido en la aplicación. La baliza que se
ubica en la entrada casi no requiere de mantenimiento, y su batería dura casi
dos años.
El número de comercios, la
mayoría ubicados en el centro histórico de Granada, puede ampliarse en un plazo
cercano, luego del acuerdo que Outbarriers firmó con elCentro Comercial Abierto,
que cuenta con 300 asociados.
Además de informar sobre las
características de los comercios, Outbarriers fomenta la solidaridad, ya que
cualquier persona puede ser voluntario e informar sobre obstáculos y problemas
de movilidad en la calle, como obras, socavones o barreras arquitectónicas. Los
creadores de la aplicación esperan que estos puntos críticos cuenten con el
sistema de balizas, donados por alguna empresa o particular, para advertir a
los ciegos de su presencia.
Fuente: 02B
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
Ensinando a voar
O que a mãe desse menino cego fez é o maior exemplo de como criar um filho
![]() |
| Clique para ver o vídeo |
Ela pediu para seu filho Miguel, que é deficiente visual, buscar uma panela na casa da avó. Apesar de suas dificuldades, ela pediu para que fosse sozinho. Sem ele perceber, ela o acompanhou por todo o caminho. Esse vídeo vai emocionar você.
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