terça-feira, 30 de abril de 2019
sexta-feira, 12 de abril de 2019
segunda-feira, 4 de março de 2019
Os carpinteiros e pedreiros romanos cunharam a palavra norma designadora de um esquadro*
NORMA 01/JNE/2019
NORMA
01/JNE/2019- Instruções para a inscrição de Provas e Exames do Ensino
Básico e do Ensino Secundário.”
Inclusão eleitoral
Matriz do voto em Braille
Todas as mesas de voto passam a ter uma matriz em Braille, que é colocada
por cima do boletim, de maneira a permitir que os cidadãos com deficiência
visual consigam votar de foram autónoma. Ainda assim, …continua a ser possível
os cidadãos irem acompanhados, se o desejarem.
Expresso de 2 de fevereiro de 2019
Quem lê muito e anda muito, vai longe e sabe muito.(Miguel Cervantes)*
Numa das minhas contínuas pesquisas para
refletir e escrever neste Blog, encontrei estes dez ‘Direitos essenciais do
Leitor’, apresentados na Obra de Daniel Pennac: Como um romance.
1.
Direito de não ler
2.
Direito de saltar páginas
3.
Direito de reler
4.
Direito a não acabar um livro
5.
Direito de ler seja o que for
6.
Direito à emoção (doença textualmente
transmissível)
7.
Direito a ler onde quer que seja
8.
Direito a ler apenas algumas passagens
dos livros
9.
Direito a ler em voz alta
10. Direito a ficar em silêncio após a leitura
Estes ‘Direitos’ devem ser apresentados e refletidos
com os jovens leitores, de forma a motivá-los para uma leitura recreativa, de
prazer e gosto. Só assim se estimulam novos leitores assíduos!
* Ver aqui
sábado, 2 de fevereiro de 2019
A informação consome a atenção dos destinatários. A riqueza da informação cria uma pobreza de atenção.
Francisco Mora: “É preciso acabar com o formato das aulas de 50 minutos”
Especialista em Neuroeducação aposta na
mudança de metodologias, mas pede cautela na aplicação da neurociência na
educação
(…)
Mora argumenta que a educação pode
ser transformada para tornar a aprendizagem mais eficaz, por exemplo, reduzindo
o tempo das aulas para menos de 50 minutos para que os alunos sejam capazes de
manter a atenção. O professor de Fisiologia Humana da Universidade Complutense alerta que na educação ainda são
consideradas válidas concepções equivocadas sobre o cérebro, o que ele chama de neuromitos. Além disso, Mora está
ligado ao Departamento de Fisiologia Molecular e Biofísica da Universidade de Iowa,
nos Estados Unidos.
Pergunta. Por que é importante levar em conta as descobertas da
neuroeducação para transformar a forma de aprender?
Resposta. No contexto internacional há muita fome para ancorar em
algo sólido o que até agora são apenas opiniões, e esse interesse se dá
especialmente entre os professores. O que a neuroeducação faz é transferir a
informação de como o cérebro funciona com a melhoria dos processos de
aprendizagem. Por exemplo, saber quais estímulos despertam a atenção, que em
seguida dá lugar à emoção, pois sem esses dois fatores nenhuma aprendizagem
ocorre. O cérebro humano não mudou nos últimos 15.000 anos; poderíamos ter uma
criança do paleolítico inferior numa escola e o professor não perceber. A
educação tampouco mudou nos últimos 200 anos e já temos algumas evidências de
que é urgente fazer essa transformação. Devemos redesenhar a forma de ensinar.
(…)
Estamos percebendo, por exemplo, que a atenção
não pode ser mantida durante 50 minutos, por isso é preciso romper o formato
atual das aulas. Mais vale assistir 50 aulas de 10 minutos do que 10 aulas de
50 minutos. Na prática, uma vez que esses formatos não serão alterados em
breve, os professores devem quebrar a cada 15 minutos com um elemento
disruptor: uma anedota sobre um pesquisador, uma pergunta, um vídeo que levante
um assunto diferente... Há algumas semanas, a Universidade
de Harvard me encarregou de criar um MOOC (curso online
aberto e massivo, na sigla em inglês) sobre Neurociência. Tenho de concentrar
tudo em 10 minutos para que os alunos absorvam 100% do conteúdo. Nessa linha
irão as coisas no futuro.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
A excepção conduz à anarquia.(António de Oliveira Salazar)*
PCP e Bloco forçaram a discussão do
decreto-lei do Governo que já está a ser aplicado em muitas escolas desde
Setembro, mas que tem sido alvo de muitas críticas da comunidade escolar.
Turmas mais pequenas, formação
gratuita para docentes e pessoal auxiliar, maior envolvimento dos pais e
encarregados de educação na avaliação do sistema e uma avaliação mais rigorosa
e cuidada dos instrumentos da educação inclusiva são algumas das questões que
os partidos, à excepção do PS, querem consagrar no novo regime jurídico que substituiu o da educação
especial. E é isso que irão fazer nos próximos meses depois de o PCP
e o Bloco terem chamado ao Parlamento o decreto-lei do Governo que entrou em
vigor no fim do Verão e está já a ser aplicado em muitas escolas. O diploma vai
ser alvo de propostas de alteração. (…)
sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
A Tecnologia também pode ser inclusiva.

Descubra a magia do StorySign
O StorySign é uma aplicação
gratuita que tem como objetivo ajudar as crianças surdas a ler, interpretando
em língua gestual livros previamente disponibilizados na aplicação.
Funciona da seguinte forma: Em primeiro lugar, o pai, a mãe ou a
criança abre a aplicação e clica num dos livros disponíveis na biblioteca do
StorySign. Depois, segura o telemóvel na vertical sobre as palavras na página e
a nossa simpática avatar, Star, conta a história em língua gestual, ao mesmo
tempo que as palavras escritas são realçadas, para que a criança consiga de
forma simples associar gestos e palavras e assim aprender a ler, ao seu próprio
ritmo.
O StorySign assistido pela Inteligência Artificial da Huawei, é apoiado por
instituições de caridade, incluindo a União Europeia de Surdos e a Associação
Britânica de Surdos, foi desenhada pela Aardman Animations e conta com
clássicos infantis da editora Penguin Random House.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2019
A pior profissão é aquela de não ter nenhuma profissão.(Cesare Cantú*)
Estudo. Só 1% dos portugueses quer ser professor
Estudo apresentado na nova edição do Global Teacher Prize
mostra que 76% dos inquiridos nunca ponderou ser docente. Taxa de rejeição sobe
se se juntar os que pensaram nisso, mas mudaram de opinião.
É a terceira profissão mais confiável na opinião dos
portugueses, só ultrapassada por médicos e bombeiros, mas, apesar disso, quase
ninguém pensa seguir a profissão de professor. Esta é uma das conclusões do
estudo que será apresentado esta quinta-feira no lançamento de mais uma edição
do Global Teacher Prize, feita a cidadãos com 15 ou mais anos, e que mostra que
só 1% dos inquiridos tem como objetivo profissional ser professor.
(...)
*visto aqui
terça-feira, 15 de janeiro de 2019
Lazer: intervalos de lucidez numa vida desregrada.(Ambrose Gwinett Bierce)*
A Generalidade Valenciana aprovou uma norma, que entrou em vigor no dia de Natal, para limitar os trabalhos de casa para os estudantes entre os seis e os 16 anos.
Lei de Direitos e Garantias para Crianças e Adolescentes é assim que se chama e estipula que as crianças entre os seis e os 16 anos façam a maioria das atividades de aprendizagem dentro do horário escolar. Esta norma é a primeira em toda a Espanha que inclui limites aos trabalhos de casa e foi aprovada pelo governo autonómico Valenciano.
Esta nova lei reconhece que as crianças e jovens são “cidadãos de pleno direito” e estabelece que a brincadeira e os jogos façam parte da sua atividade quotidiana como elemento essencial para o seu desenvolvimento e processo de socialização. As crianças também têm o direito de participar em “atividades de lazer educacional” ou de tempos livres fora da educação regulamentada e do ambiente familiar.
Segundo o artigo 69.º reconhece-se a contribuição dos colégios e institutos para que se cumpra esse “direito ao ócio e ao desporto”: “Durante as etapas do ensino obrigatório procurar-se-á que a maior parte das atividades de aprendizagem programadas se possam realizar dentro da jornada letiva, de maneira a que as que se tenham que realizar fora não ponham em causa o direitos dos alunos ao ócio, ao desporto e à participação na vida social e familiar”.
A lei não obriga categoricamente os centros educativos a seguir esta norma, deixando margem para decidir aplicar o que está foi consignado. Ainda assim, é a primeira vez que uma lei autonómica aborda as tarefas escolares, depois dos parlamentos regionais de Madrid, Cantabria, Murcia e Canárias terem aprovado recomendações neste sentido.
domingo, 13 de janeiro de 2019
Ai a norma culta portuguesa!
“Prefiro que o PSD tenha
pior resultado nas eleições do que um rótulo de direita”
Manuela Ferreira Leite
Antiga
líder do PSD, numa frase que incendiou os ânimos sociais-democratas
Em
relação ao verbo preferir, talvez por
influência da construção comparativa «gosto mais do que…» se verifique o uso
frequente de «preferir uma coisa do que outra». Porém, segundo a norma culta
portuguesa, a estrutura correcta é «preferir uma coisa a outra».
quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
No imbecil, o espírito sopra em sentido contrário.(José Alberto Braga)*
Pelo menos 20 crianças ficaram esta
terça-feira feridas num ataque perpetrado por um homem numa escola primária em
Pequim, informaram as autoridades chinesas do distrito de Xicheng, detalhando
nas redes sociais que três das crianças se encontram gravemente feridas, mas
não correm risco de vida. O suspeito foi preso no local.
Expresso
Diário de 08/01/2019
terça-feira, 8 de janeiro de 2019
“Investigação, Práticas e Contextos em Educação
INSTITUTO POLITÉCNICO DE LEIRIA - 3 a 5 De MAIO 2019
Encontra-se a decorrer, até ao dia 11 de
fevereiro, o prazo para a submissão de artigos, relatos e posters no
âmbito da Conferência Internacional “Investigação, Práticas e Contextos em
Educação”, que se realizará nos dias 3 e 4 de maio, na Escola Superior de
Educação e Ciências Sociais, do Instituto Politécnico de Leiria.
O objetivo da iniciativa é proporcionar
uma oportunidade para que profissionais de diversas áreas ligadas à Educação e
com interesses multidisciplinares interajam e partilhem experiências e
conhecimentos, contribuindo e estimulando a investigação e o desenvolvimento de
boas práticas.
A conferência envolve diversas
temáticas, designadamente, experiências de ensino e aprendizagem em contextos
formais e não formais e desenvolvimento comunitário
segunda-feira, 7 de janeiro de 2019
sábado, 5 de janeiro de 2019
quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
Ver as coisas mais além do que alcança a nossa vista! (A. Aleixo)
Um estudo recente, conduzido por
investigadores ingleses, encontrou evidências de relação entre fatores
ambientais e o aumento do número de casos de miopia, que tem sido cada vez
maior a nível mundial.
As
crianças têm de ir para a rua brincar para diminuírem o risco de terem miopia.
Este é o alerta dado por uma equipa de investigadores da universidade King’s
College London, em Londres, que confirmou que, além da predisposição genética
para ter este erro na visão, os fatores ambientais também influenciam o seu
desenvolvimento.
A
miopia faz com que haja uma redução da qualidade da visão ao longe. Já a visão
ao perto não é afetada, a não ser nos casos de miopia muito elevada. Nas
crianças, o problema pode facilmente passar despercebido, principalmente se a
miopia afetar apenas um olho.
Esta
nova investigação pretendia escrutinar conclusões de estudos anteriores que
referiram vários motivos para justificar a diminuição do número de casos de
miopia em crianças que passam mais tempo ao ar livre, assim como outros fatores
que podem fazer com que este problema aumente.
Nos
resultados, publicados na revista British Journal of
Ophthalmology, a equipa confirmou que longos períodos a fazer atividades dentro
de casa aumentam, realmente, o risco de miopia e que é importante haver um
maior equilíbrio entre o tempo passado na rua e em casa.
Ao
observar resultados de estudos anteriores, a equipa percebeu que, por cada hora
extra semanal que a criança passava a jogar videojogos, a probabilidade de ter
miopia aumentava 3% devido, principalmente, à proximidade com os ecrãs ou ao
maior tempo passado dentro de casa.
Além
disso, os pesquisadores fizeram outro tipo de descobertas surpreendentes:
através da análise de dados de mais de mil pessoas, a equipa descobriu que as
crianças nascidas a partir de tratamentos de fertilidade tiveram uma redução de
37% de miopia no momento do teste da visão na adolescência. Katie Williams,
autora do estudo, diz que este resultado pode estar ligado ao baixo peso das
crianças no momento do nascimento, o que pode significar um ligeiro atraso no
desenvolvimento neurológico.
Pelo
contrário, as que nasceram no verão tiveram quase o dobro de chances de serem
míopes, o que, segundo os pesquisadores, pode ter a ver com o facto de estas
crianças começarem a escola mais cedo.
Também repararam que, por cada
nível mais alto de educação da mãe, a possibilidade de o adolescente ter esse
problema aumentava 33%. Os investigadores dizem que este resultado pode estar
relacionado com uma ligação genética entre inteligência e miopia.
“Nós
sabemos de estudos genéticos anteriores em que a genética desempenha um papel
importante na variação da doença”, refere Katie Williams. Contudo, diz a
autora, a genética não consegue explicar a razão de a miopia estar a tornar-se
cada vez mais comum a nível mundial, “já que os genes não podem mudar tão
rapidamente ao longo de poucas gerações”. Devem ser, segundo Katie Williams, os
hábitos das crianças modernas que têm feito com que o número de casos deste
problema aumente.
Como descobrir se o seu filho tem miopia
As
crianças com miopia podem queixar-se de dores de cabeça e de cansaço e o seu
rendimento escolar pode ser prejudicado. Além disso, têm a tendência de se
aproximarem muito da televisão ou dos objetos.
Estes
sintomas podem não ser facilmente percetíveis e, por isso, os médicos
aconselham a realização de uma consulta de oftalmologia por volta dos três anos
que permite detetar a presença de miopia e corrigi-la precocemente.
terça-feira, 25 de dezembro de 2018
Hoje é dia de ser bom.
Dia de Natal
Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.
Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.
Ah!!!!!!!!!!
Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.
Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.
Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.
Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.
Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.
Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.
Ah!!!!!!!!!!
Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.
Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.
Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.
Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2018
E as crianças com a tinta invisível / do medo de serem futuro
Em Cruz não Era Acabado
As crianças viravam as folhas
dos dias enevoados
e da página do Natal
nasciam os montes prateados
da infância. Intérmina, a mãe
fazia o bolo unido e quente
da noite na boca das crianças
acordadas de repente.
Torres e ovelhas de barro
que do armário saíam
para formar a cidade
onde o menino nascia.
Menino pronunciado
como uma palavra vagarosa
que terminava numa cruz
e começava numa rosa.
Natal bordado por tias
que teciam com seus dedos
estradas que então havia
para a capital dos brinquedos.
E as crianças com a tinta invisível
do medo de serem futuro
escreviam os seus pedidos
no muro que dava para o impossível,
chão de estrelas onde dançavam
a sua louca identidade
de serem no dicionário
da dor futura: saudade.
Natália Correia, in 'O Dilúvio e a Pomba'
dos dias enevoados
e da página do Natal
nasciam os montes prateados
da infância. Intérmina, a mãe
fazia o bolo unido e quente
da noite na boca das crianças
acordadas de repente.
Torres e ovelhas de barro
que do armário saíam
para formar a cidade
onde o menino nascia.
Menino pronunciado
como uma palavra vagarosa
que terminava numa cruz
e começava numa rosa.
Natal bordado por tias
que teciam com seus dedos
estradas que então havia
para a capital dos brinquedos.
E as crianças com a tinta invisível
do medo de serem futuro
escreviam os seus pedidos
no muro que dava para o impossível,
chão de estrelas onde dançavam
a sua louca identidade
de serem no dicionário
da dor futura: saudade.
Natália Correia, in 'O Dilúvio e a Pomba'
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