terça-feira, 20 de agosto de 2013

Uma inspiração

Jô Soares revela que se inspirou no filho autista para montagem da peça “Três Dias de Chuva”

SÃO PAULO – Jô Soares contou que foi o filho, Rafael, nascido em 1964, quem o inspirou para a montagem da peça “Três Dias de Chuva”, em cartaz em São Paulo. Jô Soares diz que ele tem dificuldades e ao mesmo tempo capacidades excepcionais.
O apresentador, que dirige o espetáculo, se baseou no próprio cotidiano para dar vida à obra de Richard Greenberg – que trata de conflitos de gerações de uma família.
“Eu tenho um filho autista, com uma série de problemas que se agravam. E isso é uma condição genética. Fica difícil se comunicar com ele”, fazendo referência ao primogénito, fruto de seu relacionamento com a atriz Theresa Austregésilo.
O apresentador e escritor compara o filho com o personagem de Dustin Hoffman, que fez um autista no filme Rain Man, de 1988. Rafael toca piano, faz programa de rádio em casa, fala
inglês, e aprendeu a ler sozinho aos 4 anos de idade Rafael possui uma boa capacidade de comunicação e inteligência, mas tem dificuldades motoras e vive em uma espécie de mundo particular.
“Tenho um filho de 41 anos autista… Quando ele gosta da música, a vizinhança sofre, daí tenho que gritar, Rafael, abaixa isso…”
O artista assegurou ainda que aprendeu a viver com a condição do herdeiro e que não se deixa levar apenas pelo lado negativo. “Mas você não pode deixar que isso seja o foco principal da sua vida, porque, se deixar, não faz mais nada”, completou.
Fonte: MSN


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Vá pelos seus dedos

Revista Louis Braille - Um contributo para a inclusão

Já se encontra disponível o número 7 da Revista Louis Braille, uma publicação digital trimestral, especializada na área da deficiência visual, editada pela ACAPO. 

Ao longo das suas páginas é possível aceder a testemunhos de quem, por motivos profissionais ou outros, se interessa pela integração da pessoa portadora de deficiência visual, designadamente docentes que trabalham com alunos nessas circunstâncias. 
 Neste número são abordados temas particularmente relevantes para os profissionais da educação, como, por exemplo: 
 - O relevo da brincadeira para a criança com deficiência visual, salientando-se que "para estas crianças a necessidade de brincar é ainda mais importante, porque o brincar permite ligarem-se aos outros e ao mundo"; 
 - A dança enquanto meio de integração; 
 - A utilização de Braille eletrónico nas aulas: um caso de sucesso no Agrupamento de Escolas de Rodrigues de Freitas. 
 Acesso às versões word e pdf da revista na página web da ACAPO.


domingo, 18 de agosto de 2013

Isso é tão Max

Se meu filho pudesse acordar sem necessidades especiais

Max tem paralisia cerebral. No entanto, a ideia de que necessidades especiais deveriam ser “consertadas” ou curadas é inquietante. Ao mesmo tempo, isso me fez pensar sobre o que aconteceria se a paralisia cerebral fosse “curável”. Se o Max nunca tivesse nascido com ela, se ela fosse embora amanhã, ele iria ser uma criança completamente diferente da que eu conheço e amo.
O Max está correndo para o carro, animado para ir passear. Eu amo o jeito que ele corre; não é tanto um movimento propulsionado para a frente, mas é mais um gingado lado-a-lado, como um pinguim em alta velocidade. Isso é tão Max!
O Max está apontando para uma foto que ele achou no IPad.

“Max, você quer um Lightning McQueen falante do Carros 2 no seu aniversário?” eu pergunto.
“Sim!” ele diz alegremente.
“Você vai querer uma festa no boliche?”
“Sim!” ele diz.
“E você vai querer um bolo de sorvete de chocolate e baunilha?”
“SIM!” ele diz.
Eu amo esse “sim”. Ele é tão Max.
Max está segurando uma batata frita com seus dedos. Isso é uma baita façanha, porque ela é daquela grandona macia e não é fácil pra ele pegar. Ele enrolou seu polegar e seu indicador em volta dela, e ele a está mergulhando no catchup e, cuidadosamente, ele a leva até a boca. E ele faz isso nessa câmera lenta. Isso é tão Max.
Max está me dando um beijo, um grande e barulhento beijo de boca aberta tipicamente acompanhado por um sorriso. Isso é tão Max.

Max está indo descer as escadas sentado no degrau. Ele é capaz de fazer isso na hora de subir se ele segura no corrimão e eu seguro na sua mão, mas ele se sente mais confortável para descer se for sentado. Eu o observo descer…seus cabelos balançam e ele ergue os braços para se equilibrar todas as vezes em que levanta o bumbum. Isso é tão Max.
Está na hora de dormir, e o Max leva a mão à boca, dedos retos, e a balança pra frente e pra trás. É o seu sinal para água. Um pouco mais tarde, ele passa um braço à frente do corpo em um gesto meio Napolão Bonaparte. É o seu sinal para “está frio aqui, por favor, desligue o ar condicionado”. Esses gestos são tão Max!
“Aaaaamãe!” eu ouço. É o Max, me chamando do porão, onde ele está brincando com a Sabrina. “Aaaaamãe!” é minha palavra favorita de todas. Isso é tão Max.
A paralisia cerebral está nos movimentos de Max, seus gestos, maneirismos, postura, sons. Ela não o define, mas ela é parte integral de quem ele é, da mesma forma que a sua irmã caçula tem o seu jeitinho. Por mais que eu pense, às vezes, como Max se moveria, falaria e se comportaria se ele não tivesse PC, no final eu não consigo visualizar nada. Ele não seria a criança que eu conheço e adoro sem a PC.
Mas daí, eu penso, estou sendo egoísta. Porque a PC cria obstáculos para ele. Eu vejo o tempo inteiro que o mundo não é fácil de navegar fisicamente ou de outras formas para uma criança com necessidades especiais, e isso me dói e me deixa ansiosa a respeito do futuro do Max. O que eu queria é que houvesse mais pesquisa dedicada ao tratamento dos problemas que acompanham as deficiências, incluindo a retração muscular e até dores que algumas crianças e adultos com paralisia cerebral têm, e os problemas cardíacos que podem atingir àqueles com Síndrome de Down. Eu queria, também, que houvesse mais aceitação das pessoas com necessidades especiais pela sociedade, para que elas não fossem forçadas a se sentir tão diferentes.
Antes de eu ter o Max, se você tivesse me perguntado se eu gostaria de evitar a paralisia cerebral, eu teria dito SIM sem hesitar. E agora, eu faria todos os músculos do Max se moverem mais facilmente se eu pudesse? Eu o daria a fala com total alcance? Sim, eu daria, assumindo que ele iria concordar. E é aí que a coisa fica total e completamente atordoante. Porque o que eu realmente não desejo é que o garoto que eu amo se transforme em uma outra criança.
Eu farei qualquer coisa que estiver ao meu alcance para pavimentar a estrada que o Max tem que percorrer e fazer seu caminho na vida mais fácil. Mas eu amo ESSE menino, o menino que eu tenho.

sábado, 17 de agosto de 2013

"O afecto ou o ódio mudam a face da justiça." (Pascal)

Criticando a alegada falta de ação de polícia, um grupo de moradores da cidade norte-americana de Detroit decidiu fazer justiça pelas próprias mãos e espancou um homem suspeito de violar uma adolescente
À CNN, as autoridades confirmam que investigaram um caso de violação, denunciado em julho, e que a alegada vítima, uma adolescente com 15 anos e portadora de síndrome de Down, foi levada ao hospital, onde foram recolhidas provas do crime. E confirmam também um atraso na conclusão da investigação. Atraso esse que levou um grupo de moradores do bairro de Hubbard Farms, em Detroit, a tomar o assunto em mãos.
Reconhecendo o alegado violador pelos panfletos distribuídos pelo bairro, perseguiram-no e espancaram-no.

Segundo a CNN, o estado de saúde e o paradeiro do suspeito não são agora conhecidos.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Mare nostrum. De todos!

Gregos com deficiências nadam graças a cadeira a energia solar
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Pessoas com deficiências físicas podem nadar sozinhas na Grécia graças a uma cadeira movida a energia solar desenvolvida por uma equipe de cientistas. O dispositivo Seatrac permite que os indivíduos entrem e saiam da água de forma autónoma, por meio de um trilho que os leva até o mar e os traz de volta à areia.

O aparelho foi criado em 2008 e protegido por leis de patente europeias e americanas. Ele opera sobre um mecanismo de controle fixo, que permite que até 30 cadeiras de rodas sejam movidas diariamente para dentro e fora do mar.
Atualmente, 11 dispositivos Seatrac estão instalados na Grécia, um país com milhares de ilhas e uma das maiores costas do mundo. Os pesquisadores tentam agora expandir o negócio: o produto já foi exportado para o Chipre, e há negociações com países como Croácia, França, Emirados Árabes Unidos e Israel.
Os criadores do dispositivo também se beneficiaram do clima da Grécia, onde faz sol quase o ano todo, mas ainda há pouca acessibilidade para pessoas com deficiência. Além disso, o Seatrac pode ser configurado facilmente em praias sem rede elétrica e desinstalado ao fim da temporada, sem danos para o meio ambiente.

A equipe espera que o aparelho impulsione o turismo no Mediterrâneo, o setor mais lucrativo da região. Os cientistas lamentam, porém, a falta de apoio das autoridades locais, que compraram o dispositivo por R$ 90.810 cada, e são responsáveis pela manutenção após o primeiro ano de uso.

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terça-feira, 13 de agosto de 2013

"O essencial é invisível aos olhos." (Saint-Exupéry)

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Claire Johnson e Mark Gaffey encontraram o amor graças aos respetivos cães-guia, que se tornaram inseparáveis num curso de treino para caninos e invisuais, em Shrewsbury, no Reino Unido. Seguindo o exemplo dos dois animais, o casal de invisuais apaixonou-se e até já marcou casamento.


Venice, a cadela de Claire, e Rodd, o cão de Mark, conheceram-se num curso de cães-guia para invisuais e inspiraram o romance dos donos que viriam a apaixonar-se logo a seguir, graças à aproximação dos dois companheiros.

"Os treinadores disseram que os nossos cães eram o romance sensação daquele curso e foram eles que fizeram com que nos juntássemos", conta Mark Gaffey, citado pelo The Telegraph.

Claire, com 50 anos e cega pela doença da diabetes aos 24, apaixonou-se por Mark, com 52, cego à nascença. Sem pensar em preconceitos, tomou a iniciativa e convidou o colega de curso para um café depois do treino. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

And the oscar goes to

James Gandolfini deixa parte da fortuna a filho autista de amigo
Os pormenores do testamento de James Gandolfini podem ter deixados surpreendidos alguns dos seus admiradores, mas os amigos do falecido ator garantem que este era genuinamente preocupado com aqueles que amava.
O ator deixou parte da sua fortuna, estimada em 70 milhões de dólares (quase 55 milhões de euros) para os amigos, entre eles Doug Katz, que foi seu colega de quarto na universidade.
Contudo, o dinheiro será entregue não a Doug, mas sim para o seu filho de 12 anos, que é autista.
Segundo Katz disse ao New York Post, Gandolfini «é o anjo da guarda» do seu filho, explicando ainda que o falecido ator sempre ajudou o menino, pagando os seus suplementos nutricionais e as sua atividades físicas.
Katz contou que James estava sempre a perguntar: «Como podemos ajudar? Como podemos melhorar isso?».
Doug Katz garante mesmo: «Nunca conheci ninguém melhor do que ele».
Recorde-se que o ator morreu no dia 19 de junho, de ataque cardíaco, em Roma.


domingo, 11 de agosto de 2013

"Vista-se mal e notarão o vestido. Vista-se bem e notarão a mulher." (Coco Chanel)

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“[A ideia surgiu] de tanto eu ouvir as pessoas que eu atendia, principalmente as pessoas com deficiência física, que são os paraplégicos e tetraplégicos, a dificuldade de usar, ter uma vestimenta adaptada”, explica.
O projeto demorou três anos para ser colocado em prática. Dariene revela que o pontapé inicial surgiu “meio que sem querer”, quando recebeu a indicação de uma estilista que poderia tornar reais os modelos que imaginava. “Eu tinha um projeto em mente e meio que me faltava uma pessoa para poder confeccionar a minha ideia, confeccionar esse molde (…). Acabei encontrando uma estilista, e a gente criou um projeto piloto”, explica.
Para a elaboração dos modelos, Dariene afirma que avalia todas as necessidades das pessoas com deficiência com as quais tem convivência.
“De início eu pensei na questão da pessoa com cadeira de rodas, que usa prótese de membro inferior. Dependendo da patologia que ela teve, da sequela, acaba tendo dificuldade… Às vezes é com o comprometimento da parte urinária, às vezes essa pessoa usa fraldas. Se antes ela vestia número 40, vai ter que comprar um número a mais”, diz. Por isso, o modelo de calça que desenvolveu tem elástico e é um pouco mais “fofo” atrás caso a pessoa use fraldas.
As peças também têm aberturas dos lados e fechamento com velcro, que facilitam na hora de serem vestidas (um cadeirante, por exemplo, consegue se vestir deitado). “Algumas pessoas usam cateterismo que é uma sonda de alívio, têm a necessidade de tirar a calça a cada três horas.” Os modelos facilitam, ainda, a vida daqueles que precisam da ajuda de um cuidador para se vestir, comenta.
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Outros projetos
Mas Dariene não é a primeira a pensar em peças de roupas que buscam atender as necessidades das pessoas com deficiência.
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As estilistas Julia Sato e Inaye Brito, ambas de 25 anos, participaram de uma das edições do concurso e criaram uma marca para o setor, a Lira. Ficaram em segundo lugar. “De lá para cá, já desenvolvemos vários projetos juntas, trabalhos apresentados em outras cidades
brasileiras e no exterior”, conta Julia.
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“Para desenvolver as peças, seguimos o conceito de design universal, ou seja, as roupas possuem adaptações importantes, mas que são imperceptíveis”, diz. Ela cita, ainda, que as peças não excluem, pois podem ser utilizadas por pessoas sem deficiência física.
A estilista Driélli Valério de Oliveira, de 25 anos, que usa o nome de Drika Valério para divulgar seu trabalho, também participou do concurso. Foi a vencedora do ano passado. Ela desenvolveu um vestido de noiva adaptado, mas percebeu que a demanda maior mesmo é por peças do dia a dia. “Quando eu comecei a trabalhar com isso, comecei a receber muito pedido de peça casual, os de vestidos são casos mais específicos, 90% são peças casuais.”
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 “Cada deficiência é muito específica, então vamos tentar nos focar em lesão medular (por enquanto) e trabalhar peças bonitas, na moda e funcionais, que vistam com mais facilidade em pessoas que utilizam cadeira de rodas e têm dificuldade em se vestirem sozinhas ou usarem um jeans. Mas o objetivo para o longo prazo é atender a todas as deficiências, inclusive investir em etiquetas e detalhes em braile, para deficientes visuais”, revela.


sábado, 10 de agosto de 2013

Eu gosto é do verão



A água não só é essencial como é a única bebida verdadeiramente capaz de “matar” a sede

1 - É fundamental evitar dietas radicais e desequilibradas, porque podem 
ser muito prejudiciais à saúde.

 2 - Não esquecer de aumentar a ingestão de água e líquidos hidratantes.

A elevação da temperatura, conduz à perda acentuada de líquidos (por exemplo pela transpiração) o que poderá conduzir à desidratação, pelo que, devemos obrigatoriamente beber mais líquidos.

A água não só é essencial, como é a única bebida verdadeiramente capaz de “matar” a sede - mantendo-nos devidamente hidratados – ao mesmo tempo que facilita vários processos fisiológicos, nomeadamente o funcionamento dos rins e dos intestinos
Chás e infusões caseiras de plantas, folhas e flores são excelentes formas de ingerir água
Estes órgãos são fundamentais para os processos de digestão e excreção/eliminação de “resíduos e excedentes” metabólicos. Na verdade todos os órgãos funcionam muito melhor quando ingerimos água de forma adequada (1.5 a 2 litros/dia, ou mais se necessário).
Chás e infusões caseiras de plantas, folhas e flores (os vulgares chás caseiros), são excelentes formas de ingerir água. Os batidos naturais de fruta também são boas opções.
As crianças e os idosos são mais suscetíveis às perdas de água (desidratação), pelo que, devem merecer da nossa parte uma redobrada atenção, a fim de se evitarem problemas de saúde graves.



3 - Aumentar o consumo de produtos hortícolas/legumes.

Os produtos hortícolas/legumes (alfaces, cenouras, tomates, couves, etc.) e as leguminosas frescas (favas, ervilhas, feijão verde), além de serem “frescos” e “leves” são muito ricos em água, vitaminas, minerais e fibras.
As fibras, são um conjunto de substâncias compostas por hidratos de carbono não digeríveis (celulose, hemicelulose, gomas, mucilagens, pectinas), que não possuem acção energética valorizável (não dão calorias) no entanto, desempenham uma importante acção reguladora e protetora dos intestinos, na medida em que tornam as fezes mais macias e facilitam o trânsito intestinal
É preciso aumentar o consumo de frutos e sumos naturais de fruta
Estes alimentos são também excelentes para quem pretende perder peso e gordura acumulada, dado o seu poder saciante e relativa pobreza energética (fornecem poucas calorias).


4 - Aumentar o consumo de frutos e sumos naturais de fruta.

Os frutos são também muito ricos em água, fibras, vitaminas e sais minerais, pelo que são excelentes para consumir nesta altura do ano e não só. O organismo, em geral, e o aparelho digestivo e a pele, em particular, beneficiam bastante com o seu consumo regular.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O que é verdade hoje...

Adoçantes artificiais podem causar ganho de peso?
Os adoçantes artificiais parecem afetar a capacidade do corpo de contar calorias e, como resultado, os alimentos dietéticos e bebidas para emagrecer podem acabar tendo o efeito contrário e estimulando o ganho de peso, sustentam especialistas. A indústria discorda.
Algumas evidências sugerem que esses adoçantes também podem aumentar o risco de problemas de saúde, como doenças cardíacas e diabetes.
Em artigo de opinião publicado nesta quarta-feira (10) na revista “Trends in Endocrinology and Metabolism”, a professora de neurociência comportamental da Universidade de Purdue, no estado de Indiana, EUA, Susan Swithers, comenta as recentes pesquisas sobre adoçantes artificiais. De acordo com o texto, edulcorantes utilizados indiscriminadamente incluem a sucralose, o aspartame e a sacarina, entre outros.
Susan Swithers vem estudando os efeitos de adoçantes artificiais em ratos há anos, mas o artigo faz uma análise dos efeitos na saúde em humanos também. A pesquisadora conta que os estudos que acompanham consumidores regulares de refrigerantes diet ao longo do tempo descobriram que essas pessoas possuem maior risco de ganhar de peso e desenvolver obesidade do que as pessoas que não bebem nenhum tipo de refri.
Em comparação com as pessoas que evitam refrigerantes regulares ou diet, os bebedores de refri diet também parecem ter riscos mais elevados de desenvolver diabetes tipo 2, doenças cardíacas e síndrome metabólica – um conjunto de sintomas que deixa as pessoas em maior risco de ter essas condições.
Além disso, Swithers escreve, os riscos de passar a ter esses problemas de saúde parecem ser semelhantes em pessoas que bebem refrigerantes diet em comparação com aqueles que bebem refrigerantes comuns. Ou seja, não há muita vantagem em beber a versão diet, já que ela causa os mesmos malefícios da bebida regular.
Entretanto, alguns desses estudos não são conclusivos, porque não se pode descartar a possibilidade de que as pessoas estavam bebendo refrigerantes diet porque estavam ganhando peso, e não o contrário – um problema chamado de causalidade reversa.
Apesar dos resultados aparentemente sólidos das pesquisas que Swithers apresenta, nem todo mundo concorda com a professora. “Os pontos de vista neste artigo me parecem tendenciosos e especulativos”, avalia a especialista em assuntos científicos e nutrição Theresa Hedrick, do Conselho de Controle de Calorias, um grupo de lobby para os fabricantes de adoçantes artificiais. “Ela só apresenta os estudos que apoiam a sua opinião e ignora o grande corpo de pesquisa científica que demonstra a segurança e os benefícios de adoçantes de baixa caloria”.
“É importante lembrar que os adoçantes de baixa caloria são apenas um aspecto das várias abordagens possíveis no multifacetado panorama da saúde e da prevenção da obesidade”, opina Hedrick. “Adoçantes não são poções mágicas”.
Swithers rebate ao afirmar que seus estudos com animais apoiam a hipótese de que os adoçantes artificiais podem levar ao ganho de peso, mesmo se eles não têm nenhuma caloria. Ela diz ter percebido evidências de perturbações metabólicas causadas por adoçantes artificiais em ratos.
Basicamente, acontece algo assim: em um mundo sem adoçantes artificiais, um gosto de algo doce prepara o cérebro e o intestino para a digestão das calorias que serão ingeridas. Quando as calorias não aparecem, como acontece com adoçantes artificiais, essas respostas metabólicas não são acionadas do jeito que deveriam. A insulina não se eleva, os hormônios que aumentam a sensação de saciedade e satisfação não são acionados e o cérebro não recebe uma sensação de recompensa da dopamina que os açúcares liberam.
Depois de um tempo, de acordo com Swithers, a boca continua mandando os sinais que antecedem a chegada de algo doce, mas o cérebro e o intestino param de responder a eles. Como resultado, quando um açúcar de verdade vier, cheio de calorias reais, o corpo não vai responder a eles como deveria. Ou seja, as calorias vão acabar não fazendo você se sentir tão saciado quanto deveriam. Elas não são tão gratificantes. E, consequentemente, você não recebe os sinais que te impedem de comer mais.
Os adoçantes artificiais também podem facilitar algo que os psicólogos chamam de distorções cognitivas. Ou seja, eles permitem que nos enganemos ao pensar que podemos comer mais calorias do que realmente deveríamos. Economizar calorias com um refrigerante diet significa que um pedaço de bolo de chocolate mais tarde é ok, quando não é.
Com base em sua pesquisa, Swithers afirma que a água é a melhor opção para as pessoas que estão tentando perder peso ou melhorar seus hábitos alimentares e saúde como um todo. “A desvantagem de beber os refrigerantes diet é que eles podem minar esses processos inconscientes que poderiam nos ajudar a regular o nosso peso e outras coisas como o açúcar no sangue”, finaliza. [WebMD]