quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

UM NATAL ESPECIAL (2)


Loa
É nesta mesma lareira,
E aquecido ao mesmo lume,
Que confesso a minha inveja
De mortal
Sem remissão
Por esse dom natural,
Ou divina condição,
De renascer cada ano,
Nu, inocente e humano
Como a fé te imaginou,
Menino Jesus igual
Ao do Natal
Que passou.

Miguel Torga, in 'Diários'

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

"Não sendo possível fazer-se com que aquilo que é justo seja forte, faz-se com que o que é forte seja justo." (Blaise Pascal)



Uma proposta intragável


É como o SIPE – Sindicato Independente de Professores e Educadores – considera o projecto de portaria apresentado pelo ME para regulamentar o acesso ao 5º e ao 7º escalão.
(…)
E ao contrário do que se possa pensar, este não é um problema apenas dos professores posicionados no 4º ou no 5º escalão. Se não for devidamente resolvido afectará, no futuro, as progressões de todos os docentes que ainda não passaram a barreira do 7º escalão.

Para ler todo o texto, clique aqui

sábado, 16 de dezembro de 2017

UM NATAL EM ESPECIAL




Quem faz das tristezas forças
E das forças alegrias
Constrói à força de Amor
Um Natal todos os dias.


"Os Operários do Natal" (Ary dos Santos e Joaquim Pessoa)

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Estudar faz bem ao estudante, à Escola e à Economia



Como explicar por que é que em nenhum outro dos 35 países da OCDE o abandono escolar no ensino secundário é tão alto como em Portugal?
Seja qual for o prisma, a evolução do sistema educativo português está acima de qualquer dúvida. Há mais alunos a concluir o secundário — a taxa de conclusão subiu de 50 para 82% entre 2005 e 2015 —; esse crescimento foi o maior entre os 35 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE); Portugal é dos poucos membros nos quais a tendência de melhoria contínua de resultados está mais consolidada; os progressos em estudos sobre literacia (como é o caso do PISA) são insofismáveis, etc.
Subsiste, porém, a reprovação ou o abandono escolar, o reverso da medalha que importa agora reverter. Em nenhum outro país europeu o chumbo escolar está tão interligado com níveis socioeconómicos e culturais das respectivas famílias como por cá. Portugal e a Holanda têm níveis de reprovação altos. Mas enquanto no primeiro quem reprova é oriundo de estratos económicos e culturais abaixo da média, no segundo há uma paridade entre classes sociais. Como explicar por que é que em nenhum outro dos 35 países da OCDE o abandono escolar no ensino secundário é tão alto como em Portugal? A par deste dado — mais de um terço nos estudantes não atinge aquele nível de ensino —, o relatório Education at a Glance 2017 refere outra particularidade: apenas metade dos estudantes termina em três anos o percurso entre o 10.º e o 12.º ano. Como explicar por que é que 35% abandona a escola sem um diploma, cinco anos após o início do secundário, quando a média da OCDE é de 68%?
Aquele relatório, relativo ao ano lectivo de 2014/2015, coincide com a chegada ao 12.º dos primeiros alunos abrangidos pela escolaridade obrigatória até aos 18 anos e, sobretudo, com o período de intervenção da troika. A desvalorização do papel da escola ou a carência económica sempre foram factores endémicos do emprego precoce em Portugal, marcado por uma cultura de trabalho infantil nas décadas de 80 e 90 do século passado, e não custa aceitar que condicionantes deste tipo sejam explicações plausíveis.
Sabemos que o percurso escolar determina, em grande parte, o percurso profissional e os dados da OCDE reforçam-no: os jovens adultos entre os 25 e os 34 anos, com o ensino secundário concluído, têm uma menor taxa de desemprego comparativamente a quem o abandona (9% contra 17%). Estudar faz bem a quem estuda, faz bem às escolas e faz bem à economia. 

terça-feira, 9 de maio de 2017

Morreu o JORNALISTA!



Um natal com morangos – a pequena grande história que atravessou os céus
“Houve um bom Natal na minha vida. Um bom Natal inesquecível. Um Bom Natal em que este metro e oitenta e quatro de português, que redige um português inútil, inútil português de metro e oitenta e quatro presumiu ser útil escrevendo num português inçado de erros, coxo, desmantelado - mas feliz. Foi assim: pelas onze e meia da noite de um 24 de Dezembro eu estava na redação do jornal onde trabalhava. Veio um telegrama de Londres que dizia mais ou menos isto: "Um menino que está a morrer pediu à mãe morangos. Não há morangos em Inglaterra, por esta época do ano. A mãe foi à BBC e a BBC fez um apelo. Um avião em voo escutou-o. Transmitiram o apelo a todos os aviões do mundo. E alguns aviões do mundo atrasaram as suas partidas, transferiram de bojo para bojo um cesto de morangos que fora adquirido na Cidade do México. Os morangos chegaram a Londres." Não havia mais no telegrama; mas era uma grande história de Natal e de amor, numa suave noite de Natal, em que seria radioso relembrar às pessoas que, por vezes, as pessoas conseguem coisas formidáveis.” 
(BAPTISTA-BASTOS in “Cidade Diária”)