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| (Público de hoje) |
terça-feira, 30 de julho de 2013
Bem-vindo! A inclusão precisa de todos!
Falou sobre a homossexualidade como
nenhum Papa tinha falado antes, dando um sinal de abertura que prolonga as
mensagens que deixou ao longo de uma bem sucedida viagem ao Brasil. Ao afirmar
que a Igreja deve aceitar os homossexuais que procuram Deus, Francisco deixou
claro que o seu papado será de abertura ao mundo e de inclusão. Sinais encorajadores
que reforçam a relevância do papel da Igreja para cristãos e não-cristãos.
(Público de hoje)
"Todo o gesto é um acto revolucionário." (Fernando Pessoa)
O ex-presidente dos EUA George H.W. Bush, pai
de George W. Bush, acaba de rapar o cabelo em solidariedade a um menino
norte-americano de dois anos que ficou careca devido ao tratamento contra a
leucemia.
A notícia foi avançada pelo próprio gabinete de
imprensa de Bush, que revelou fotografias do ex-político na sua casa de Verão
no estado do Maine, já de cabeça rapada, com o pequeno Patrick, filho de um dos
seus seguranças, também sem cabelo sentado ao seu colo.
O objetivo deste gesto foi apoiar a criança, que
sofre da mesma doença que, há quase 60 anos, tirou a vida a Robin, filha de
George H.W.Bush e da sua mulher, Barbara.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
"O homem descobre-se quando se mede com um obstáculo." (Antoine de Saint-Exupéry)
Jaru: Deficiente físico craque em futebol da exemplo de superação
“Nunca
deixei minha deficiência física ditar regras em minha vida” é desta forma que
pensa e age Edinelson Marcos Reis, 29 anos, que apesar de não possuir as duas
pernas, leva sua vida normalmente e ainda é um ótimo jogador de futebol.
Edinelson,
que nasceu com esta deficiência, conta que começou a superar seu problema
físico, já na infância, após conquistar
uma garota no colégio, deixando muitos de seus amigos para traz. Ele disse que
tinha quase 12 anos e aquela que se tornou sua namorada por um bom tempo, tinha
16. De lá para cá, Edinelson, diz que na questão amorosa não tem do que se
queixar, tendo nos relatado diversas conquistas, mas afirmando estar hoje,
muito bem, com a jovem Erika Gomes, em um relacionamento que já dura mais de um
ano.
Mostrando que sua vida não
sofre nenhuma interferência devido suas limitações físicas, Edinelson,
trabalha, dirige seu automóvel adaptado, frequenta baladas e até joga futebol
com seus amigos. Acompanhamos neste final de semana, uma destas partidas, onde
presenciamos Edinelson, marcando diversos gols, também vimos que os jogadores
não dão moleza a ele, realizando marcação acirrada pois senão suas jogadas
resultam em belíssimos gols.
Para jogar futebol com as mãos
Edinelson, desenvolveu uma forma para lidar com a bola, ele não a segura,
apenas da toques como os jogadores fazem com os pés, e no momento certo, “a
chuta” usando as mãos.
Ao final Edinelson, deixa uma
mensagem as pessoas que sofrem em decorrências de deficiências físicas, seja
ela de nascença ou adquiridas em acidentes, que busquem da melhor forma dentro
de suas limitações viver normalmente, pois a vida é muito boa e tem que ser bem
vivida independente das condições enfrentadas, já as pessoas normais que reclamam
da vida, Edinelson preferiu não comentar.
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domingo, 28 de julho de 2013
Não há ventos favoráveis para quem não tem rumo definido (Séneca, adaptado)
(…)
Quando colocamos as escolas a pensar apenas nos exames, o risco
é grande. É provável que desapareça a curiosidade dos alunos de aprenderem para
além dos testes. É quase certo que o professor depressa se desinteressa em
inspirar novos caminhos. Daqui resulta um empobrecimento do currículo real, em
que as aulas passam a ser centradas em competências para responder aos testes
finais, sem que haja espaço para o ensino da inteligência emocional, do
compromisso social ou da educação moral. Por isso, a escola se centrará cada
vez mais em ensinar aquilo que supõe ir ser questionado no exame, com a
consequente quebra na educação global.
(…)
A verdade é que o bem-estar emocional se correlaciona com
resultados escolares positivos. Também se sabe como um bom clima escolar e uma
adequada organização da sala de aula conduz a melhores classificações. Sabemos
que nada disto acontece em muitas das nossas escolas, por diversas razões. Em
primeiro lugar, nem sempre os professores mais experientes para lidar com
situações difíceis são colocados em zonas problemáticas. Depois, porque as
escolas não desenvolvem, na maioria dos casos, políticas educativas de
envolvimento das famílias, com discussão participada dos valores em jogo nas
comunidades, única forma de se promover uma cultura de respeito recíproco entre
alunos, pais e professores. A disciplina da escola tem de ser construída em
conjunto por todos, de modo a transformar o clima da sala de aula num ambiente
onde a aprendizagem e o respeito mútuo sejam a regra.
(Público de hoje)
sábado, 27 de julho de 2013
Até quando isso é notícia?
Hosana Gabriela e Dudu, que estão juntos há dois anos tem da
Síndrome de Down. Mesmo com todas as dificuldades, eles decidiram uma coisa
simples: querem ser felizes juntos.
Hosana e Dudu se conheceram na APAE
(Associação Pais e Amigos dos Excepcionais) de Búzios (RJ). Ele diz que se
apaixonou no momento em que a viu pela primeira vez. No entanto, ela não
percebeu seu interesse e começou a namorar outro rapaz. O romance durou pouco
e, quando Dudu soube, ligou para Hosana perguntando se poderia visitá-la. Os
dois acabaram se tornando grandes amigos e, com o tempo, namorados. Eles estão
noivos e prestes a subir ao altar.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Golo de bandeira
Além da grande
componente tecnológica – “Tudo desenvolvido em casa”, frisa António Ferreira,
diretor técnico do Benfica –, não estão esquecidos os deficientes: foram
estabelecidos protocolos com a Associação dos Cegos e Amblíopes e a Associação
Portuguesa de Surdos para que ninguém seja privado de conhecer o mundo Benfica.
Talvez alheada do real, agora autista...
A visita de Francisco ao Brasil, um gigante
que perdeu milhões de fiéis, é o princípio de uma estratégia
Com lucidez e grande capacidade de autocrítica, o Papa Francisco
resumiu em 2009 o problema da Igreja Católica: “A uma Igreja que se limita a
administrar o trabalho paroquial, que vive fechada na sua comunidade,
acontece-lhe o mesmo que a uma pessoa fechada: atrofia-se física e mentalmente.
Ou deteriora-se como um quarto fechado, onde o mofo e a humidade se expandem. A
uma Igreja auto-referencial acontece-lhe o mesmo que a uma pessoa
auto-referencial: fica paranóica, autista.”
(Público de hoje)
"Se amanhã quiser ser um grande profissional, comece hoje a ser um grande aprendiz." (Inácio Dantas)
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quinta-feira, 25 de julho de 2013
"Não existem esforços inúteis, Sísifo ganhava músculos." (Roger Caillois)
A prática
regular de exercício físico pode reduzir o risco de os indivíduos virem a
sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). A conclusão é de um novo estudo
desenvolvido por investigadores norte-americanos, que analisou o maior e mais
diversificado grupo de homens e mulheres já estudado neste âmbito nos EUA.
A equipa da University of Alabama at Birmingham
analisou dados de 27.000 pessoas, homens e mulheres, de raça negra e
caucasiana, com idade igual ou superior a 45 anos e que nunca tinham sofrido um
AVC, dados esses que foram recolhidos durante uma espécie de censo denominado
REGARDS - Reasons for Geographic and Racial Differences in Stroke.
Os especialistas dividiram os participantes em
três grupos, um relativo aos que se podiam classificar como inativos (ou seja,
que não faziam qualquer exercício físico numa semana normal), outro aos
moderadamente ativos (que faziam exercício uma a três vezes por semana) e outro
aos vigorosamente ativos (mais de quatro vezes por semana), acompanhando-os, em
média, ao longo de 5,7 anos.
Os resultados da investigação mostraram que a
falta de atividade física relatada por 33% dos participantes estava associada a
um risco 20% superior de vir a sofrer um AVC. Pelo contrário, os mais ativos,
que faziam exercício, pelo menos, quatro vezes por semana, apresentavam menores
hipóteses de ter um destes episódios (embora entre as mulheres a relação entre
o AVC e a frequência da atividade física se tenha revelado pouco clara).
quarta-feira, 24 de julho de 2013
"...toda a avaliação é um produto do que é avaliado pela esfera cognitiva de quem avalia" (Arthur Schopenhauer)
(...)
Com a mesma lógica de análise do
Ministro Nuno Crato, a defesa da qualidade, e dada importância fundamental do
seu exercício para todos nós, também a formação dos políticos merece uma enorme
preocupação. Assim, parece-me imprescindível que os candidatos ao exercício de
funções políticas também fossem submetidos a um exame de ingresso na carreira
para garantir, tal como se pretende com os professores, que apenas os melhores
tenham acesso ao desempenho profissional. Esta exigência é tanto mais
pertinente quando todos sabemos que as universidades onde se adquirem boa parte
das competências políticas são as "Jotas" cuja qualidade de ensino é
muito fraquinha, por assim dizer.
De forma desinteressada, apenas com
genuíno espírito de colaboração, sugiro que os candidatos a actores políticos
possam responder a três provas com a estrutura seguinte e paralela à que em
tempos foi sugerida para os professores:
. Exame escrito de Língua Portuguesa
avaliando o “domínio escrito da L.P. tanto do ponto de vista da morfologia e da
sintaxe, como da clareza de exposição” e também a organização de ideias, além
da “capacidade de raciocínio lógico”.
. Exame escrito de competências técnicas
e científicas envolvendo, entre outros conteúdos, a capacidade de elaboração de
promessas a partir de um tema, a capacidade de comentar demagogicamente um
texto, a elaboração de cinco opiniões diferentes a partir de um facto, a
citação, de forma organizada, de dois nomes reconhecidos na área económica,
cultural, científica e política, etc.
. Exame oral avaliando o domínio de uma
língua estrangeira para além do “portunhol”, a elaboração de uma apresentação
em “powerpoint” em três versões sobre um tema e, finalmente, defender uma ideia
e o seu contrário no tempo limite de cinco minutos com "pose de
estado", seja lá isso o que for.
No caso, pouco previsível, aliás, de
chumbos nestes exames, os candidatos serão encaminhados para uma via
profissional onde poderão preparar-se para uma nova oportunidade.
Creio que teríamos basicamente a mesma
classe política mas, dado fundamental, com Diploma de Qualidade. A sério, acho
que é de considerar o lançamento de uma petição com este objectivo.
"A mais honrosa das ocupações é servir o público e ser útil ao maior número de pessoas." (Montaigne)
terça-feira, 23 de julho de 2013
segunda-feira, 22 de julho de 2013
"Meu Deus, como ficam / sozinhos os mortos!" (Gustavo Bécquer)
Crianças foram mortas por pesticida concentrado
Almoço que matou 23
alunos de escola do estado indiano de Bihar foi cozinhado com óleo contaminado
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Resultados
preliminares confirmam que a refeição gratuita servida numa escola na Índia que
matou pelo menos 23 crianças estava contaminada com pesticida altamente
concentrado, em níveis cinco vezes mais elevados do que o usado comercialmente.
A investigação forense concluiu que o óleo com que a refeição foi preparada
tinha sido armazenado num recipiente que continha pesticidas.
A
cozinheira da escola do estado de Bihar, no Nordeste do país, terá alertado a
directora, enquanto preparava a comida na terça-feira, para a aparência e
cheiro estranho do óleo. Mas esta ignorou o alerta, dizendo que o óleo tinha
vindo da loja do seu marido.
A
funcionária disse à polícia que fora forçada a cozinhar pela directora, Meena
Kumari, que poderá ser julgada por homicídio por negligência. O magistrado
Abhijit Sinha disse à BBC que se a ela não se entregar, o mais provável é que
os seus bens e propriedades sejam apreendidos.
O
insecticida monocrotofos é um organofosfato usado como pesticida da agricultura
e que quando ingerido é muito tóxico. “Normalmente dilui-se em cinco litros de
água. É altamente venenoso e tóxico”, sublinhou o magistrado.
O
óleo estava de tal forma contaminado que as crianças estranharam o sabor, mas
foram obrigadas a comer o arroz, batatas e feijões de soja. Pouco depois,
começaram a ter dores de estômago, a vomitar e a ter convulsões, mas a
directora da escola demorou duas horas a reconhecer a ligação entre a refeição
e a intoxicação.
As
crianças que morreram tinham entre quatro e 12 anos. O número oficial de mortos
é 23, mas o jornal Times of India refere já 27 crianças.
A
comida foi servida no âmbito do programa Refeição a Meio do Dia, que permite a
120 milhões de crianças terem uma refeição gratuita. O controlo de qualidade,
no entanto, é fraco ou inexistente.
O
governo estadual anunciou indemnizações de cerca de três mil euros às famílias
das crianças mortas.
Que bonito é ser artista ... ver as coisas mais além ... do que alcança a nossa vista (A. Aleixo)
A letra da jovem Anna
Vives, portadora de Síndrome de Down, estará nas camisas que o Barcelona
vestirá quando enfrentar o Santos pelo troféu Joan Gamper, que ocorrerá no
próximo dia 2 de agosto. A menina é a estrela do projeto BOX 21, da Fundação
Itinerarium, que desenvolve ferramentas para integrar melhor as pessoas e
permitir que todos possam se expressar igualmente.
Em seu Twitter oficial,
ela reproduziu uma imagem com o desenho das camisas que Messi, Iniesta e Neymar
irão utilizar contra o time brasileiro.
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domingo, 21 de julho de 2013
"Só tem o direito de criticar aquele que pretende ajudar." (Abraham Lincoln)
A Crítica como recurso pedagógico
Na
esteira de meu artigo Crítica,
espírito crítico e outras obviedades, fui interpelado por muitos pais que,
do ponto vista pedagógico, se interessaram pelo tema, principalmente no que
tange ao seu papel de educadores. Principalmente quando frente a seus filhos
adolescentes, por exemplo, nos quais o espírito crítico já se encontra num
estado tão crítico, que permitam o trocadilho, parecem um caso perdido.
Por um lado é desgastante ao pai ou a mãe diariamente
executar esse papel de agente “apontador de defeitos” frente à conduta de seus
filhos, que no auge da adolescência, pendem para o intolerável, ou nas palavras
de uma leitora:
“Meus filhos adolescentes são imãs para encrenca –
desde a vida escolar até aos hábitos de higiene – é uma batalha diária e sem
tréguas. Tudo tem que ser apontado e reiterado, senão a opção sempre é feita
pela pior conduta.”
Por outro lado, o adolescente é excelente em criticar
sem a menor piedade o comportamento dos pais e se aproveitar como muita
propriedade dos erros dos adultos como desculpa para “escapar do controle” e
então adotar o comportamento mais desastroso possível.
Evidentemente esse tema é gigantesco e extremamente
complexo.
Não tenho aqui a menor pretensão de apresentar
soluções milagrosas, quando muito, quero apenas efetuar, como sempre, um
humilde convite à reflexão.
É claro que depois de instalado o problema de pouco
adianta buscar culpados.
Geralmente, muitos pais relapsos tendem a desaguar na
escola os descalabros da precária educação dada aos filhos e evidentemente cabe
ao professor a dura tarefa de operar milagres.
É uma obviedade de longa data que a boa relação
familiar é um fator preponderante na construção de uma educação saudável e
construtiva, bem como a edificação de uma vida mais fecunda e profícua.
É nessa boa relação, que se destaca a capacidade de
uma família de bem exercer o espírito crítico, tanto na arte de fazer a crítica
quanto na de recebê-la. E para isso se exige uma série de atributos que quero
novamente aqui destacar:
• Humildade e lisura;
• Senso de humanidade;
• Tato e polidez;
• Adequação;
E acima de tudo:
• Conhecimento.
Não há como criticar algo que não se conhece:
Por isso, pais e educadores: – estudem o assunto! E
procurem conhecer seus educandos.
Existe vasta bibliografia sobre a pedagogia na
adolescência e vamos fazer uso dessa inteligência distribuída para construirmos
uma educação adequada para nossos filhos.
Quanto à aplicação da crítica:
Muitos pais tendem a simplesmente criticar a conduta
mais evidente e estabelecer um controle férreo dos efeitos, do tipo:
- Sente direito. – Arrume seu quarto. – Lave as mãos.
– Escove os dentes – Estude!
Etc. etc. etc.
Num processo autofágico que leva ao desgaste e promove
no educando uma espécie de amortecimento: – Além de não ouvir mais a crítica,
faz ouvidos moucos a tudo que esses pais ou educadores falam.
Novamente no jargão popular se encontra mais uma
obviedade, não menos útil:
“Uma pitada de exemplo vale um barril de conselhos”.
Para educar um filho, não use apenas palavras, mas
principalmente o seu exemplo.
Existem, também, os pais que tudo toleram e não
criticam os filhos em nada, como que imobilizados pelo receio de
traumatiza-los.
Dessa forma abandonam seus filhos ao domínio de seus
próprios caprichos infantis, produzindo para si e para a sociedade pequenos
tiranos, cujo egocentrismo compete com sua completa falta de capacidade de se
relacionar com o outro de forma saudável e produtiva.
Outra obviedade:
Para se estabelecer esses limites tão importantes ao
processo pedagógico o pai e a mãe devem estar presentes. Não apenas
fisicamente. Mas presentes de corpo e alma. Presentes como entidade e categoria
moral, portadores e praticantes de um conjunto de valores que lhes são
essenciais.
Os pais não devem figurar apenas como provedores
materiais, relegando sua família a uma espécie de indigência moral, que só a
mais cruel orfandade é capaz de produzir.
Infelizmente eu conheço uma porção de adolescentes que
são órfãos de pais vivos. Jovens que sobrevivem desde tenra idade a esse tipo
de abandono que é o mais destrutivo de todos.
Presenciamos diariamente a rotina de muitas famílias,
que na busca pelo ter, acabam esquecendo o ser e caem cativos nos frutos
armadilhas do consumismo e, sem tempo para viver, são incapazes de
conviver, tratando-se com a indiferença dos simples conhecidos, que são na
verdade meros desconhecidos, ou na melhor das hipóteses, inimigos íntimos.
É preciso deixar patente, que o reverso do amor não é
o ódio! – e sim a indiferença!
Quando se entende que a crítica que é realizada com
propriedade busca sempre a melhoria e a evolução – se entende também que essa
crítica em sua essência é também um gesto de amor.
Um bom crítico literário, por exemplo, ama a
literatura.
E é preciso aprender a fazê-la e é preciso aprender a
recebê-la. Para o bem de nossos filhos e para o bem de toda a humanidade.
Para concluir, apresento aqui uma vivência da minha
infância, que ilustra muito bem o que eu gostaria de dizer.
Aos dez anos de idade eu já gostava de aplicar piadas
práticas em meus colegas de ginásio. Uma, que me marcou em especial, envolvia
um binóculo e uma almofada de carimbo.
Era uma “pegadinha” muito simples. Consistia-se em sujar
as oculares do binóculo na almofada de carimbo e deixá-lo displicentemente
sobre uma carteira ao lado da janela.
Não demorava muito e um colega desavisado ao ver o
binóculo, não resistia e já se prontificava em experimentá-lo sem pedir
permissão – e pronto, ficava com o rosto carimbado com espalhafatosos “olhos de
coruja”.
O tiro saiu pela culatra quando nosso professor de
matemática (o mais severo e disciplinador de todos) aproximou-se da tal
carteira, e antes que pudéssemos adverti-lo, tomou o binóculo e fez uma longa
observação de toda a paisagem ao alcance da janela, elogiando, inclusive o
poder de zoom do aparelho.
A sala caiu num silêncio sepulcral. E ele, sem
perceber que sua face ficara marcada, prosseguiu tranquilamente com sua aula.
Petrificado pelo medo, não consegui juntar um grama de
coragem para avisá-lo. E penso que aconteceu o mesmo com o resto da classe.
Na manhã seguinte, resignado, eu já esperava por uma
suspensão ou coisa pior.
No entanto o jovem professor nos surpreendeu com um
bom humor inédito, contando com muitas gargalhadas que por fim trabalhara os
três turnos com “seus olhos de coruja” sem perceber que caíra na “pegadinha”.
Só quando chegara a sua casa que avisado pela esposa,
tomou consciência de que servira de piada para todos da escola, nos três turnos
em que trabalhara frente a tantos jovens.
Ao término da aula, com a consciência muito pesada,
fui me desculpar. Afinal ele não merecia aquele tipo de brincadeira.
O jovem professor, no entanto, sem nenhum pingo de
condescendência ou autocomiseração se limitou a me tranquilizar e
agradecendo-me disse:
- Graças à sua brincadeira eu descobri que nessa
escola, nesses anos todos, eu não consegui fazer nenhum amigo.
Até hoje estou remoendo essa lição.
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