terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O tamanho importa

Tratamentos contra défice de atenção e hiperatividade retardam crescimento
Cientistas australianos descobriram que os tratamentos contra o distúrbio conhecido como défice de atenção e hiperatividade (ADHD) provocam um crescimento mais lento durante a puberdade
O estudo, liderado por Alison Poulton, da Universidade de Sidney, identificou que uma dose maior dos medicamentos utilizados para travar o distúrbio da falta de atenção ou hiperatividade coincidia com uma desaceleração maior do crescimento na adolescência, apesar de não ser descartado que pode atingir uma taxa normal na idade adulta.
Na investigação, os adolescentes que foram submetidos a tratamentos do género por mais de três anos cresceram menos três centímetros do que o normal durante esse período do desenvolvimento humano.
Por outro lado, os rapazes entre os 12 e 14 anos sujeitos ao estudo eram mais magros, enquanto aqueles com idades entre os 14 e os 16 anos eram mais magros e mais pequenos, explicou Alison Poulton à cadeia de televisão ABC.
A mesmo responsável apelou ainda à comunidade médica que receita medicamentos aos jovens que tenham cuidados redobrados nas doses ministradas de forma a atingir os melhores resultados evitando efeitos negativos no desenvolvimento dos jovens.
A investigadora considerou ainda que os adolescentes com ADHD que possuem uma altura menor do que o normal podem ainda crescer antes de atingir a idade adulta já que outros estudos sugerem que os homens que foram sujeitos a tratamentos idênticos durante a infância alcançaram a altura dos seus irmãos e pais. 

Funcionário diligente, com sentido de humor. E com razão antes do tempo?

(…)
    Segundo a agência France Presse, um estudante universitário que trabalha na biblioteca a tempo parcial colocou um aviso na porta anunciando que, na sequência da confissão do ciclista norte-americano do consumo de substâncias ilegais, os seus livros seriam transferidos para a secção de ficção.
    "Todos os livros de não ficção de Lance Armstrong, incluindo ' Lance Armstrong: Imagens de um campeão', ' O programa de desempenho de Lance Armstrong: o maior campeão do mundo', serão transferidos de imediato para a secção de ficção", destacava o aviso, entretanto retirado, que terminava com um "smile" (símbolo amarelo de uma cara sorridente).
    De acordo com Wendy Ford, funcionária da biblioteca de Manly, em declarações ao jornal online australiano The Sidney Monrning Herald, tudo se tratou de uma brincadeira de um jovem universitário que trabalha na biblioteca aos fins de semana.
(…)
    Wendy Ford acrescentou ainda que a biblioteca não pode fazer a recategorização de uma obra, já que isso tem a ver com o número de ISBN (número comercial pelo qual um determinado livro é conhecido internacionalmente) atribuído pelas Bibliotecas Nacionais, adiantando que está a ser realizado um inquérito interno para resolver a questão.
    Lance Armstrong, de 41 anos, confessou quinta-feira numa entrevista a Oprah Winfrey que participou num programa sistemático de doping que o levou a perder todos os títulos desportivos, incluindo sete vitórias no Tour de França e a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Sidney, realizados no ano 2000.

Comigo, o deficiente vai sempre atrás

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.(Manuel Alegre)

Imagem vista aqui
Uma professora, já com 68 anos, deu aulas de apoio ao estudo na Escola Básica do 1º Ciclo nº 34, no Lumiar, em Lisboa, durante o ano letivo 2011/2012. Depois das aulas, Fátima da Costa Dias ajudava as crianças dos seis aos nove anos a fazer os trabalhos de casa. Cada vez que as crianças evidenciavam mau comportamento ou falta de conhecimento da matéria, a professora dava estaladas nos meninos ou utilizava uma régua para castigar os alunos. O Ministério Público acusou-a de ofensas à integridade física, razão pela qual vai ser julgada.
No dia 8 de março do ano passado, durante o período da tarde, a docente não gostou que um dos alunos, de apenas oito anos, não aprendesse a matéria e deu uma reguada na sua mão esquerda. Segundo a acusação do Ministério Público a que o Correio da Manhã teve acesso, Fátima da Costa Dias disse à criança que a agressão "era para bem dele".
"Por várias vezes utilizava a régua ou as mãos para desferir castigos corporais aos alunos, quer por motivos de indisciplina, quer por falta de aplicação no estudo, mantendo desta forma esquema de ensino próprio", pode ler-se na acusação.
O menino, que sofreu dores com o castigo, contou aos pais o que se tinha passado, levando-os a apresentar queixa ao Ministério Público. Fátima Dias reside em Odivelas e está com termo de identidade e residência. O Ministério Público, segundo a acusação, entende que "a arguida teve o propósito de molestar o corpo do queixoso, como aconteceu, agindo de forma livre, deliberada e conscientemente", já que sabia que a sua conduta era proibida e punida por lei, e que "não existia qualquer causa justificativa para a agressão".
O Correio da Manhã tentou obter uma reação da direção da escola, mas ninguém se mostrou disponível para dar explicações sobre o caso.

"A escola é a única alavanca capaz de elevar o povo ao nível da moral." (Guerra Junqueiro)


Acabou o primeiro período, reuniram-se os professores e procedeu-se à avaliação do trabalho dos alunos e à atribuição, quando é o caso, das classificações. A maioria dos miúdos, felizmente, sairá bem tratada do processo.
Com classificações mais ou menos elevadas ficarão contentes e o espírito natalício, apesar da sua revisão em baixa face à austeridade dominante, encarregou-se de os compensar também da forma possível, pois, como se sabe, o espírito natalício não é igual para todas as famílias, algumas terão tido muito pouco espírito natalício este ano.
Outros alunos, apesar de alguns resultados menos positivos, com o apoio dos professores e da família e, naturalmente, com o seu esforço, encararão o resto do ano com uma atitude positiva e de confiança assumindo a convicção de, como se diz, “vão lá”, “são capazes”. Assim deve ser, os miúdos são capazes, como o povo diz “se houvera quem me ensinara, quem aprendia era eu”. Aliás, os resultados conhecidos recentemente nos estudos comparativos internacionais são testemunhas disso mesmo.
No entanto, haverá um grupo de alunos, deseja-se pequeno, de quem a escola, mesmo estando no primeiro período, desistirá, por impotência ou demissão. São, por exemplo, os miúdos que “não vão lá”, seja porque “com a família que tem não é possível”,
porque "coitado, não é muito dotado, já o irmão quando cá andou assim era”, porque “não se interessa por coisa alguma, não anda aqui a fazer nada” ou por outra qualquer apreciação entendida como razão justificativa para a dificuldade. Muitos destes alunos, tal como a escola desiste deles, também eles desistirão da escola, confirmando a antecipação do insucesso, assim e desde já estabelecido.
Num tempo em que a grande orientação é reaproveitar e reciclar o que não serve ou não presta e considerando o caminho de municipalização da educação já enunciado pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), pode acontecer que os municípios, sob a orientação do MEC procedam à instalação de um novo recipiente nos ecopontos que quase sempre existem perto das escolas. Assim, junto do vidrão, do pilhão e dos outros contentores, existiria um "alunão", um recipiente onde se colocariam os alunos que "não servem" ou "não prestam" e esperar que algo ou alguém os recicle e devolva à escola novinhos, reciclados, cheios de capacidades, competências e capazes de percorrer sem sobressaltos o caminho do sucesso.
Em alternativa, estes alunos podem ser desde logo canalizados, reciclados, para uma via profissional dada a sua falta de "jeito" ou "competência" para as mais exigentes tarefas intelectuais que conduzem ao sucesso escolar.
A propósito destes alunos, o grupo que experimenta algum tipo de dificuldade, o ministro Nuno Crato afirmou há poucos dias em entrevista à RTP que o MEC estima em cerca de metade o número de alunos do ensino básico que poderão precisar de
alguma forma de apoio dadas as suas dificuldades. Assim sendo, o ministério vai disponibilizar cerca de 47.000 horas de trabalho docente para providenciar este apoio.
Como é sabido, o MEC decidiu eliminar os chamados Planos de Recuperação que serão substituídos por dispositivos de acompanhamento pedagógico logo que se detectem dificuldades nos alunos.
É certo que os Planos de Recuperação em larga medida não "recuperavam" de forma satisfatória os alunos, "recuperando", sim, uma enorme burocracia, falta de recursos adequados e dificuldades de organização. Embora me cause alguma estranheza o número catastrófico avançado pelo MEC, metade dos alunos, a medida anunciada de disponibilização de 47.000 horas de trabalho docente parece insuficiente para as dificuldades realmente existentes ainda que abaixo da referência do ministro se considerarmos os indicadores conhecidos.
Por outro lado, do meu ponto de vista, muitas das medidas da PEC – Política Educativa em Curso, aumento das turmas, mega-agrupamentos, cortes nos recursos humanos, normalização das respostas com uma estrutura rígida de metas de aprendizagem em número dificilmente operacionalizável, reforma curricular incipiente, etc., etc., não parecem favoráveis à qualidade do trabalho de alunos e professores, nem para assegurar a qualidade e quantidade dos recursos para o necessário apoio pedagógico.
Este cenário contribuirá, gostava de estar enganado, para novas dificuldades que se candidatarão a esta estratégia remediativa agora enunciada por Nuno Crato.
O apoio pedagógico, ou acompanhamento como é designado, tem de passar por uma correcta avaliação das dificuldades dos alunos permitindo assim que o apoio seja dirigido para essas dificuldades e não apenas mais trabalho da mesma natureza. Nesta perspectiva torna-se necessária formação acrescida bem como recursos diferenciados.
Em sala de aula, a utilização, por exemplo, de parcerias pedagógicas parece uma medida potencialmente eficaz. Deveria aligeirar-se a burocracia envolvida, com custos razoáveis de tempo, e, finalmente, criar dispositivos de regulação e avaliação das intervenções que permitam a sua correcção e eficácia.
A questão é que não vislumbro que a generalidade das escolas e agrupamentos tenha os recursos adequados, sendo que os discursos produzidos sobre os caminhos próximos da educação não permitem grande optimismo, antes pelo contrário. Por mais que nos esforcemos, a realidade não é a projecção dos nossos desejos.
José Morgado é professor universitário

domingo, 20 de janeiro de 2013

"Se a raça humana sobreviveu, foi graças à ineficiência." (Bertrand Russell)

FMI atribui ineficiências na educação ao excesso de professores
“O principal factor de custos e ineficiências no sector da educação é o baixo rácio aluno-professor, que reflecte a presença de muitos professores com diminuição ou ausência de componente lectiva”, lê-se no estudo.
Antes disto, já os técnicos tinham escrito que as áreas da educação e da segurança mostram “ineficiências” e “empregam mais pessoas” que os países pares.
Estas referências chegam depois de na semana passada, no relatório entregue ao Governo com sugestões para o corte de 4.000 milhões na despesa do Estado, os técnicos do FMI terem sugerido dispensar entre 30 e 50 mil funcionários (pessoal docente e não docente) na educação, enviando-os para a mobilidade especial.