quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Mais um belíssimo fim de tarde


Descanso e...bom trato


Uma boa noite de sono é indispensável para ajudar os mais novos a aprender novas palavras e a desenvolver a memória. A conclusão é de um estudo recente de duas universidades britânicas, que constatou que até as crianças com mais facilidades de aprendizagem se lembram melhor dos novos vocábulos quando têm oportunidade de "dormir sobre o assunto".
De acordo com os investigadores, o sono desencadeia uma melhoria na memória, um facto que poderá vir a ser útil para ajudar professores a combater problemas como o autismo ou a dislexia. Embora se tenha acreditado durante muito tempo que a facilidade de aprendizagem das crianças se deve ao facto de ainda estarem a desenvolver a linguagem, este novo estudo defende que não é aí que reside o segredo, mas sim no descanso.
As duas equipas das universidades de York e Sheffield Hallam, em Inglaterra, constataram que as crianças com idades entre os 7 e os 12 anos que estudaram podem ser tão "distraídas" como os pais. Quando os mais pequenos aprendem novas palavras, por exemplo, durante o pequeno-almoço, tendem a esquecê-las umas horas mais tarde. Porém, depois de um intervalo de 12 horas - com uma boa noite de sono - lembram-se de muito mais do que aprenderam. 
Em comunicado, Anna Weighall, do departamento de Psicologia da universidade de Sheffield Hallam, afirmou que estes são "resultados verdadeiramente entusiasmantes, que abrem uma nova dimensão na investigação acerca do desenvolvimento da linguagem". 
Segundo a cientista, "pensava-se que as crianças não precisavam de dormir por serem especialistas na aprendizagem de novas palavras, uma vez que o fazem a todo o momento". Porém, as novas descobertas revelam que "as crianças e os adultos usam o mesmo mecanismo de aprendizagem que os adultos - e o sono ajuda".
"A investigação que desenvolvemos prova que quando aprendemos uma lista de palavras e somos questionados sobre ela depois de dormir nos lembramos de muito mais do que se nos fizerem perguntas no dia da aprendizagem. A tendência é pensar que iríamos esquecer, mas o sono protege o conhecimento e lembramo-nos melhor no dia seguinte", conclui Weighall. Clique AQUI para aceder ao estudo publicado na revista científica Developmental Science (em inglês). 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Um fim de tarde frutuoso

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Eça é que é uma boa sugestão


AOS ESTUDANTES DE PORTUGAL
Amigos, aprendam comigo a não recair nos meus erros, formem e cultivem a vossa inteligência com fortes e lentas leituras: tudo o que se deixa de aprender a tempo e horas, custa muito a aprender na minha idade
Eça de Queirós

Eu vim de longe, de muito longe

Uma equipa da Universidade do Minho acaba de conquistar um prémio internacional no Nepal graças ao desenvolvimento de um interface - o "t-words" - que poderá ser útil a longo prazo para combater problemas de literacia nas crianças, permitindo-lhes explorar, de forma lúdica, sons, palavras e frases.
De acordo com um comunicado enviado ao Boas Notícias, o galardão foi atribuído aos portugueses durante a principal conferência da área do entretenimento digital interativo, a International Conference of Advances in Computer Entertainment, que se realizou no Nepal. 
O trabalho premiado consiste numa tecnologia constituída por blocos físicos que podem ser gravados e recombinados de modo a reproduzir diferentes combinações sonoras. 
Assim, os mais novos podem participar em diversas atividades, como a construção de rimas ou a exploração da sonoridade de palavras e frases enquanto desenham na superfície dos blocos, criando pequenas narrativas visuais e sonoras.
"Dada a ênfase do 't-words' na exploração sonora, pensa-se que poderá incentivar de forma lúdica o desenvolvimento e a sensibilidade fonológica, ajudando na aquisição de aptidões ligadas à literacia", explica Pedro Branco, coordenador do Laboratório engageLab, envolvido no desenvolvimento desta tecnologia.
O "t-words" é o resultado de um trabalho de investigação e desenvolvimento do engageLab/Centro Algoritmi da UMinho da autoria dos investigadores Cristina Sylla e Sérgio Gonçalves e dos professores Pedro Branco, do Departamento de Sistemas de Informação da Escola de Engenharia da UMinho, e de Clara Coutinho, do Instituto de Educação.
 O projeto tem o financiamento do FEDER - Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, através do Programa Operacional Fatores de Competitividade, e também da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. 

A desenhar nos entendemos

Mais informações aqui

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Duas notícias. Ambas preocupantes


O abandono escolar precoce em Portugal atingiu os 23,2% em 2011, o terceiro pior registo entre os Estados-membros da União Europeia (UE), apesar de ter recuado nos últimos anos, avançou hoje a Comissão Europeia.
De acordo com os dados divulgados hoje pelo executivo comunitário no âmbito da apresentação da estratégia designada "Repensar a Educação", o abandono escolar precoce "situa-se em níveis inaceitavelmente elevados em vários Estados-membros" da UE, com destaque para Malta (33,5%), Espanha (26,5%) e Portugal (23,2%), sendo a média da União a 27 de 13,5%.
No caso português, a Comissão Europeia afirma que, apesar de o abandono escolar precoce atingir um nível elevado, "o desempenho melhorou significativamente durante o período 2006-2011", precisando que, em 2006, o abandono escolar precoce ascendia a 39,1%.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que Portugal terá de "racionalizar mais" os salários e o emprego na Função Pública, e reformais mais ainda pensões e prestações sociais, no âmbito de um debate público sobre a composição do ajustamento.
Num comunicado da missão do FMI que esteve em Portugal a propósito da análise ao abrigo do Artigo IV (uma análise profunda feita a todos os países membros do fundo de forma regular), o Fundo deixa antever a necessidade de maiores cortes na Função Pública.
"Dado o ainda significativo ajustamento em vista, é necessário um debate público sobre como partilhar o fardo do restante ajustamento de forma justa e amiga do crescimento [económico]. A despesa orçamental, particularmente em salários com funcionários públicos e prestações sociais, aumentaram durante muitos anos, com uma fraca ligação aos objetivos do Estado e à alocação dos recursos do orçamento. O principal foco terá de ser em racionalizar ainda mais os salários e o emprego na Função Pública assim como reformar pensões e outras prestações sociais", diz a missão.